quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O meu tesouro


Talvez eu nunca saiba a riqueza que tenho, talvez eu nunca me aperceba que o meu tesouro é o mais valioso de todos os tesouros alguma vez avaliados
Talvez a minha ignorância me impeça de avaliar os meus" pertences".....
Sou obsecada em amealhar, não para ser rica, mas porque sou "sovina"
O meu tesouro não o guardo na terra, procurei um "banco" muito mais seguro fora dos olhares cobiços e das linguas enganadoras.
Talvez nunca consiga contar o meu tesouro, sou uma especie de "tio patinhas" a minha intenção é que ele cresça cada vez mais, que se torne numa montanha gigantesca, tão gigantesca que todos a consigam admirar....e que a admiração seja tanta que todos queiram um tesouro igual ao meu.
Mas para ser visto o meu tesouro, é necessário SER-se cego....não é um tesouro que se veja com os olhos da carne.
Na esperança que um dia eu consiga ver a grandiosidade do meu tesouro, terei de escalar a montanha do conhecimento, terei de fechar os meus olhos, para que possa VER.....abrir o meu coração para SENTIR....Desnudar-me para poder SER.
Sou assim um ser humano em construção, sigo as coordenadas do meu mapa interior,coordenadas essas que me levam a rios de amizades, a mares de amores, a céus de infinitos sorrisos , á terra dos afetos e da familia.

São os tesouros da alma que se devem guardar, são esses que nos acompanham para lá de além.
Contratarei um guardião de almas, para que não me deixe vacilar, para que eu não seja tentada a abrir a porta e deixe saquear o meu grandioso tesouro.
Amigos,familia,afetos,sorrisos....a todos quantos fazem parte desta riqueza interior, eu quero agradecer, por fazerem de mim um ser humano em melhoramento construtivo.Obrigada por me rodearem,obrigada por fazerem parte da minha alma.
Não saberia caminhar nas sombras, se não tivesse sempre a tua luz a mostrar-me o caminho.
Não saberia amar, se não me sentisse amada.
Não saberia dar se não me tivesses dado
Não saberia mimar, se não conhecesse o teu carinho
Não saberia chorar, se não conhecesse o sabor das tuas lágrimas
Não saberia sorrir, se não fosse iluminada pelo teu sorriso
Não saberia caminhar, se não seguisse  os teus passos
Agradecida pelo  humanismo que há em vós, com esse espirito humanista eu aprendo a ser humana.
Abraços na alma a todos os que estão dentro dela.
R.M.Cruz




terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Não me peças para te falar de amor......

Pediste-me que te falasse sobre o amor
Mas que tenho eu para falar, se de amor eu já disse tudo...e não disse nada!
Mas fala-me de amor...dizes tu.
Que hei-de eu falar-te, se do amor não há nada que se diga
O amor pode ser tudo, de bom e tudo de mau.
Falar de amor, é como falar de Deus....não o conheces, mas pensas que existe
O amor pode edificar-te, proteger-te, honrar-te, respeitar-te, viver-te!
Mas também pode magoar-te,aniquilar-te,substimat-te,assassinar-te! 
Eu não diria nada disto.....porque para mim o amor é muitas coisas. Não há dicionário que decifra o amor, assim como também não o há para decifrar Deus.
O amor simplesmente É.
Tudo depende da forma como o sentes...como o vês, como o vives, como o dás e como o recebes.
Amar, pode ser a coisa mais bela do mundo, como pode ser a maior catastrofe de sempre.
Amar é dar, dar sem esperar nada em troca, mas poucos amores o conseguem.....dificilmente uma cesta de fruta se conserva cheia....as fontes também secam....o sol também nem sempre brilha, o mar também nem sempre está cheio,os rios também  minguam.
Todos temos necessidade de ser retribuidos, o nosso coração não aguenta muito tempo sem retorno.
Se te dão amor, abre o coração para o receber, mas nunca te esqueças que chega um momento em que é preciso regar, cuidar, amar, para que o amor se fortaleça, caso contrario....seca!
Amar requer sacrificios, manter o amor, não é fácil....é necessário esperar, compreender,ajustar,ceder.....
Há tantas pessoas que fazem tudo o que lhes dá na gana, tudo em nome do amor.Pensar que se pode fazer tudo em nome do amor,não está certo.O amor tem as costas largas.
Amor incondicional....é esse o verdadeiro amor? Não sei!
Dizem que esse amor só se encontra no coração das mães....será?
Acredito que sim, mas não em todas.
Não há nada a dizer sobre o amor....nada mesmo!
Como vives o teu amor?
Não sei...dia a dia sem grandes espectativas....de uma coisa tenho certeza, se deixar ao abandono, ele enfraquece.O amor carece de aconchego, de mimo, de tacto, de seiva, de respeito, e sobretudo de lealdade.
Se não houver lealdade no amor, ele se entristece, e por mais que queira amar, a desconfiaça não o deixa.
E então que me dizes ácerca do amor?
Nada! Não digo nada!
Cada um que o sinta á sua maneira, e que o viva o melhor possivel.


(Numa conversa sem respostas, com uma jovem adolescente )

R.M.Cruz

(imagem Google)





domingo, 16 de novembro de 2014

Com o mesmo brilho no olhar

Não vim aqui para te ver... eu nem sabia que existias
Mas o Universo tem  os seus segredos
E por um lapso de segundos, cruzou os nossos olhares
Como se a hora estivesse marcada, e o tempo controlado
Há coisas inexplicaveis....na vida como no amor o momento acontece!
Depois é só faze-lo grande.
Quando dois corações batem em ritmo acelarado, com o mesmo  brilho no olhar
Nada os impede de continuar
Quando dois corpos sentem vontade de se tocarem
O Universo ajuda
A energia imitida pelos nossos sentidos
 Dão a força necessária para a aproximação dos corpos
E dá-se o eclipse!
Se é duradouro ou não....não nos compete saber
Apenas continuar na corrente que nos uniu, saberemos mais tarde
Mas nem sabemos se mais tarde existe
Então vamos viver o momento,ele é o unico que nos eleva no tempo
Tempo de amar...de amar sem tempo, porque o tempo também não existe
Eu nem te conhecia.....mas o momento foi exato, assim como o relógio
Que marcou a hora....que hora? Se  foi a hora nos marcou a nós.
Agradeçamos às circunstância...essas sim, foram elas que nos apresentaram
Naquela tarde de mudanças....que não eram nossas, mas que mudaram a nossa vida
Vamos imaginar que será para sempre.....porque o sempre também não existe
Mas será um para sempre nosso, enquanto durar o nosso amor
Mudemos de habitos amor....o que ficou lá atrás não importa
Vamos amar-nos hoje!

Dedicado á minha amiga C.C.
R.M.Cruz
(imagem google)

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Já te amo tanto!!!


Já te amo tanto
Dentro de mim entraste, como semente lançada á terra
E como terra que sou....recebi-te
Abri-me para ti e aconcheguei-te dentro das minhas entranhas
Abraço-te com a minha alma, e dentro de mim sinto-te
Semente do meu amor, que cresce dentro de mim a cada dia que passa
Sou terra, sou seiva, sou mulher, sou Mãe
Já te amo tanto
Como o sol que ilumina a terra,assim tu iluminas a minha alma
O meu coração toca musica para ti, embalando o teu ser dentro de mim
E já sinto o teu coraçãozinho elevar-se nas batidas para acompanhar a sintonia do meu
E dentro de mim estás segur@,porque eu recebi-te como o mar que se abre á chuva
E o meu sangue corre nas minhas veias para ti, tal como os rios que correm para o mar
Alimenta-te, cresce, fortalece-te, fica forte.
Para que a tua força seja o impulso que te trará á luz da minha vida...da nossa vida!
Já te amo tanto
Como amo o teu irmão, e o teu pai.... todo o amor existente em mim é para vós
A minha alma é a vossa casa, e a minha casa são vocês
Vem minha flor, crescer nesta familia que te espera, como quem espera o nascer de um novo dia
És uma dádiva divina, que veio ao meu ventre como uma estrela, a mais linda do céu
Como um anjo que desce na imensidão da fé e do amor
Já te amo tanto
Já te sinto, já te quero,já te adoro,já te amo...vida em mim
Como eu me sinto grande, tão grande como o universo, em mim cabe a lua o sol as estrelas......
És o meu firmamento a minha estrela polar, a minha galácia.....és o meu infinito
És tudo o que de melhor há no mundo, és VIDA em mim.
Cresce, cresce, minha flor, meu pedacinho de céu, minha doce criatura
Sou feliz. Contigo  pulsa vida em mim
Sou mar, sou árvore, sou rio, sou VIDA!sou MULHER,sou MÃE.
Já te amo tanto, como te AMO!!!

Dedicado á minha amiga Catarina


R.M.Cruz



terça-feira, 4 de novembro de 2014

Aprender e crescer..


Cada dia me apercebo que( ainda)
há bons seres humanos....são raros, mas existem!
Numa viagem a Chaves acompanhada da minha filha e duas amigas,na vinda, o meu carro avariou a 100km de casa, era já noite e estavamos muito cansadas. Parei na estação de serviço mais próxima alarmada com a situação, pois o carro deitava oleo por tudo quanto é lado, o termostato subiu subitamente até ao vermelho. A estação de serviço tinha apenas uma jovem que nada percebia de automoveis avariados, a minha amiga dirigiu-se então a dois Senhores( que pararam para tomar café), pedindo uma visão ao nossos carro...sem mais demoras os senhores disponibilizaram-se a abrir o capô para tentar detectar a avaria, na tentativa de o arranjar, é claro que nos aconselharam logo a chamar o reboque tal era a situação da avaria. (primeira ajuda).
Depois claro está, telefonamos para a assistência em viagem, a qual se prontificou a enviar um reboque, em menos de 20 minutos chegou,acompanhado de um taxi( segunda e terceira ajuda).
Tomadas todas as previdências e assinados todos os papeis, continuamos viagem no taxi, um pormenor...tinhamos connosco a Buba,( cadelinha da minha amiga), embrulhadinha para que o taxista não desse conta...mas acontece que na sua condiçao animal  começou a ganir, pois queria estar á vontade, com receio que o taxista implicasse, tentamos evitar que ela desse nas vistas, não deu nas vistas, mas deu nos ouvidos....
-Desculpem, há para aí algum cãozinho?
-Há sim, mas é pequenino....( receosa destapei mostrando-lhe a cabecinha da Buba)
-Óh que fofa.( disse ele com ternura)
 Quando observei que parecia não haver problema,passei-a para o lugar da frente....para o colo da dona.
 Enquanto faziamos a viagem o jovem taxista,  simpáticamente acariciava a cadelinha.
Foi uma viagem de muita conversa, risos e descontração, não houve um só momento monotono.
Conclui portanto que este jovem taxista, ao invés de dramatizar a situação, e complicar, decidiu usufruir da nossa companhia  da simpatia e do afeto da Buba, conversando connosco, encurtando a viagem e  suavisando o acontecimento da avaria do carro.
Se colocarmos o melhor de nós em tudo o que fazemos, veremos a diferença ao nosso redor....nessa noite eu pude constatar a veracidade da frase.

Um agradecimento especial ao Claudio Fernandes.
R.M.Cruz 



segunda-feira, 13 de outubro de 2014

ELA......

O tempo é o unico que nos mostra o escondido
Talvez, porque a tempo não queremos ver
Porque estamos tremendamente iludidos e cegos
Com uma vida projetada nos nossos sonhos
Sonhamos a dois, esquecendo-nos completamente
 Que só um é que sonha.....
 Enquanto o outro aproveita a nossa cegueira e vive
Vive feliz, ignorando o que está por trás de um coração que ama
Uma mulher romântica, que espera o marido com flores no regaço
Uma mulher que se despe de tudo, para se vestir do que ele gosta
Mesmo sabendo que esse tudo, é tudo o que ela tem de melhor
Uma mulher que espera ansiosa apenas, uma palavra sincera
E nessa ilusão o tempo vai passando, e ela vai-se entregando
Entregando-se sempre, na esperança que o sonho aconteça
E o sonho envelhece na prateleira da alma
Porque um sonho quando envolve dois, não pode ser sonhado por um
E o sonho envelheceu, envelheceu tanto, que se cansou de esperar
Morreu de velhice, sem nunca ter visto a luz da alegria, de um sonho realizado
Na alma da mulher, ficou a marca das raízes de um sonho que secou
Volta e meia ela, abre as janelas, deixando entrar uma restia de luz
Torce as nuvens dos seus olhos,descarregando as lágrimas 
 Na esperança que o sonho ganhe cor......
Ela está tão cega, que ainda não deu conta que o sonho morreu
Então vem o tempo, e sem escrupulos, rasga-lhe os olhos ...
 E mostra-lhe o que sempre esteve escondido
Um sonho que foi só dela, e que ele nunca sonhou
Dolorosamente ela acorda, e toma conta da realidade
E o que era sonho, passou a ser pesadelo
Vestiu-se de negro
Encarou-o de frente.... é de frente que se encara o inimigo
Abriu o peito e a alma, e arrancou-o para sempre da sua vida
Hoje sonha sozinha novos sonhos,novas quimeras....
Rasgou as vestes negras, e vestiu-se de branco,azul,verde..... e todas as cores que há na vida
Recuperou o TUDO que era dela, é tudo o que tem......ELA!
Fechou os olhos, sorriu para dentro de si, e agradeceu ao tempo
Por ainda estar a tempo de ser feliz.

 (dedicado a uma amiga )


R.M.Cruz
 (imagem google)












segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Todo o homem já foi criança......

Todo o ser já  foi criança...Todo o homem já cresceu
Toda a vida a esperança...Quem de amor envelheceu

Quem amou  a vida inteira...Quem se entregou aos afectos
Não tenha medo da morte...Os avós já foram netos

Ai daquele que não cuida...De quem dele já cuidou
Não se engane pois na vida...Colhe tudo o que semeou

Cuidado com os velhinhos...Que crianças se tornaram
São carentes de carinhos...Daqueles que mais amaram

A indiferença doi...No coração de quem ama
A solidão destroi...A mais graciosa alma

Esperar por quem não vem...Todo o tempo lhe dedicou
Abandonou-o também...Ao destino que o matou

Nunca te esqueças de quem...Toda a vida te entregou
E se és o que és hoje...Foi alguém que te ensinou

A vida é uma roda...Roda e gira sem parar
Hoje estás na mó de cima...Mas em baixo vais estar

Não te iludas com o destino...Caminha de cabeça erguida
Criança... homem... velhinho...É esta a estrada da vida

Jamais deixes que alguém...Maltrate quem te amou
Tu melhor do que ninguém...Sabes o quanto lhe custou

Respeita o teu futuro...Ouve bem este conselho
O jovem que hoje és....Serás  amanhã o velho

Se bem fizeres, bem recebes...Diz o povo e com razão
Faz o bem a quem te ama...E terás consolação

Vive a vida com amor....Cuidado com a indiferênça
Acredita que é  pior...Que a mais mortal doença

Eu não falo por falar...No meu coração mora a dor
De não mais poder cuidar ...De quem me deu seu amor

A consciência não pesa...É leve como algodão
Quem me dera ter em meus braços....Quem me levou no coração

(Dedicado a todos os velhinhos e seus familiares)

R.M.Cruz











terça-feira, 30 de setembro de 2014

Confia


Se me deres a tua mão, talvez eu sinta o teu calor
E entenda o que te vai por dentro
A frieza das palavras vem de dentro da alma
Cada bafo teu é como um gelo cortante
Parece que as palavras ficam suspensas no ar
Como se fossem estalactites cortantes
Ao meu contacto tudo pode mudar
Ainda há esperânça
Entre o teu corpo e o meu existe uma pequena centelha de luz
Precisamos de nos mover, para a acender
Não esperemos, para ver quem dá o primeiro passo
 Segue o teu impulso, e eu sigo o meu
Verás que é apenas uma questão de movimento
Não há razão para existir a frieza
O sol já vai alto.....mas a centelha
 É agora uma grande fogueira....sente como ainda estão quentes as ervas do chão
E como os pés são acariciados pela terra, porque da terra brota a verdade
De quem és, de quem sou, de quem somos
E essa verdade, sou eu e tu, somos nós
Dá-me a tua mão, encosta o teu corpo ao meu
Não deixemos morrer o que ainda luta por vida
Não deixemos que os nossos ouvidos sejam entupidos pela estupidez
Dá outro passo, assim....pequeno sem pressas, não tenhas medo
As sombras já não existem, o sol adormeceu...ouve apenas e sente....
Sente o calor da fogueira e ouve o seu crepitar
Observa o céu....as estrelas estão lá
Junta-te a mim, reencosta-te no meu ombro
Fecha os olhos e confia.

R.M.Cruz
(foto R.M.C.)




domingo, 17 de agosto de 2014

Não me salves.....

As madrugadas cerram-me os olhos
Num latir.... quase gemido
De um cão que ouço na rua
Chego a confundir-me com ele
Não fossem os meus ouvidos....Porque os meus olhos de nada me servem
Nas madrugadas sinzentas
Onde naveguei a noite inteira
Na penumbra  do inferno
De um sono que não veio
De uma viagem que não aconteceu
De uma caricia....que foi dada e não foi sentida
Tamanha é a podridão que invade o meu corpo
Não me salves deste dilema
Deixa-me afundar, no lodo viscoso, do vicio
É ele o passaporte para as portas do inferno
E eu quero ir....mas quero ficar contigo
Cada vez que me salvas, é apenas um adiar
Porque eu sei, que vou voltar
A salvação não existe, para quem já vendeu a alma
O vicio entranhou a minha carne, tomou conta das minhas veias
Vive em mim
Eu sou dele, e ele é meu
Mas tu, não desistes
Nessas noites, em que me calo, levantas o véu em que me escondo
E mergulhas á minha procura....pensas que me encontras
Mas enganas-te!
Aquilo que vês de mim....não sou eu, sou apenas o que resta daquilo em que me tornei
És, e serás sempre a barqueira dos meus sonhos
Não arredo o coração de ti, porque esse é o unico que ainda, não se deixou contaminar
Nele está plantado o amor, que me levou até ti, e é esse amor que ainda me resta
É o unico, que me trás de volta para ti, é por ele que eu não desço de vez ao inferno
Não fosse o latir do cão, pensaria que ainda é noite....
Noites eternas, estas, em que me procuras
Sei que sabes, da minha incuria, porque tu, de tanto que me queres bem
Vestes-te de primavera, para que eu pense que tu não sabes......
E escreves poesia....para que eu veja apenas as rosas.....mas tu sabes que os espinhos já se cravaram
És a minha guerreira, ainda que saibamos os dois, em silêncio....
Que nesta guerra não há vitórias
Apenas pequenas batalhas, que vamos vencendo
Tentando enganar o tempo......para que ele se esqueça de nós
E tu silenciosamente entras no barco
E consegues buscar-me nas portas do inferno
O meu maior receio,é que um dia.......nos percamos os dois
Na armadilha do tempo.

R.M.Cruz

(imagem da internet)




domingo, 3 de agosto de 2014

Rio selvagem......

Queria escrever um poema
Mas eu não sei escrever, palavras ditas poema
Porque o que eu quero dizer não soa a poesia
Nem há palavras que descrevam o que eu quero dizer
Invento uma palavra, mas quando a leio vejo que já foi inventada
Como se escreve um sentimento?
Acaso se inventa um sentimento, como se inventa uma palavra?
Invento em mim um sentimento
Não o sei descrever
Porque não há palavra que o descreva
Sentir...não é falar
Sentir....não é dizer
Sentir é morrer....e depois  viver!
Sentir é o vómito que não sai
É a parede que não se salta
É a profecia que não se cumpre
Não sou poeta, o poeta inventa palavras
E eu não invento nada!
Sou apenas sentimento.....rasgada por dentro
E perfeita por fora
Um mundo que não sei expor
Um mundo que vem de dentro de mim
Como uma nascente que rasga a montanha
E corre por entre as rochas virgens... lambemdo-as á sua passagem
Água pura e cristalina, que brilha ao reflexo do sol
E reflete estrelas inventadas
E arco íris de sonhos
Tenho medo que a nascente cresça
E se torne num rio selvagem
Tenho medo, que já não lhe chegue as rochas da montanha
E que engula montes e vales
Tenho medo, que o meu mundo interior
Não caiba em mim
Queria escrever um poema
Mas ainda não inventei as palavras

R.M.Cruz

(imagem internet)


sábado, 12 de julho de 2014

Sou azul...........

No mar elevo os meus pés á altura do meu pensamento
Como se o meu corpo não existisse
E dos meus pés nascessem asas
A matéria de que sou feita não tem peso

Voo á altura do infinito, como se o infinito estivesse ao meu alcance
Na verdade está!
Porque eu possuo asas em vez de pés
Sou feita de vento.....voo para onde quero
Não há machado que corte as minhas raízes
Porque não existem
No mar.....os meus pés sentem a alegria que vem da água
Toda ela percorre o meu corpo
Até ao meu pensamento
E o corpo deixa de existir
Sou..........vento!
Olho o céu.... e estou lá
Olho o mar....e estou cá
Tudo é azul...e eu também!

R.M.Cruz



sábado, 5 de julho de 2014

Por cima do céu...................

Trás a viola meu amor Vamos cantar aos pássaros, ao céu e ás estrela Hoje é dia de cantar para eles Vamos fazer melodias tinbradas de amor Onde não hajam letras nem palavras Porque os pássaros não carecem de ruidos E o céu apenas ouve o silêncio As estrelas buscam a luz do amor Para que a sua beleza alcance o Universo Vem comigo...vou mostrar-te o lugar Onde podemos refugiar-nos do mundo dos ruídos É o esconderijo dos pássaros....por cima do céu Mas é preciso asas amor A altitude é inatingivel aos olhos humanos Só os pássaros conseguem ver e alcançar Vem, junta-te a mim Dizem que nós nascemos com uma só asa Só nos é permitido voar, se nos fundirmos Trás a viola amor Evaporemo-nos deste espaço Onde não cabe a melodia dos pássaros Funde-te em mim...e voaremos por cima do céu Entreguemos o nosso corpo á alquimia Deixemo-nos transformar Não fujas amor...fecha os olhos, abre os sentidos E deixa-te levar........ Quando o corpo for nada, a alma será tudo Quando o silêncio for ouvido,a nossa condição não será humana Teremos corpos de pássaros Com grandes asas de condor Voaremos por cima do céu Numa plenitude total, numa coreografia de paz................ Que só os pássaros entendem.... Não esqueças a viola amor, só ela nos leva ao lugar dos pássaros Por cima do céu.
R.M.CRUZ

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A ti....

Tu que sentes nas costas o peso da maldade alheia 
 E que te levantas todos os dias olhando a vida de frente 
 Na esperança que a noite tenha feito amolecer os corações 
 E que a lua na sua misteriosa grandeza 
 Tenha espantado os lobos que te querem devorar 
 Tu que à noite te deitas em lençóis de lágrimas 
 E envolves o teu corpo em ti mesma 
 Tentando esconder a dor, para que ela não se alastre ao teu amor 
 E que fazes do amanhecer a alegria de uma noite mal dormida
 Tu que colocas todos os dias um sorriso de mel e um olhar cristalino 
Para que os teus filhos pensem que há felicidade em ti 
 Tu que te desdobras, em Mãe extremosa,mulher cuidadosa 
 E que à força das chicotadas da vida,consegues conservar a tua sanidade mental
 Que fazes do teu próprio corpo um muro de resistência 
 Constróis uma fortaleza na tua alma
 Para que o teu lar não seja invadido por monstros humanos
 Para ti Mulher, vai a minha gratidão 
 Porque em ti me inspiro 
 Porque em ti busco saber e força
 Para reconstruir um mundo perdido em si mesmo 
 Um mundo onde cada dia somos invadidos por noticias tenebrosas
 Para ti Mulher, vai a minha gratidão 
Por me abrires as portadas do teu coração. 
 Aplaudo-te de pé!!!!
 R.M.Cruz
 (Dedicado a uma amiga mto especial)
(imagem Google)

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Há dias que canso

A alma o tempo não leva

Lá fora a chuva cai devagarinho...é chuva de verão
Eu fecho os olhos, e vejo-me a dançar por entre as gotas
Como se a chuva fosse o meu céu
E não houvesse chão
Como se só existisse um
Como se eu não tivesse pés....nem casa
Como se eu não fosse matéria...só sentimento
De repente o toque....o abraço...o beijo
E a chuva, passou a ser sol
E o céu passou a ser casa
E o um... passou a ser dois
E o corpo passou a ser matéria
E o sentimento passou a ser sentido
E assim entre a chuva e o sol
A vida acontece!
Eternizando-se na nossa alma
Ficando cravado na pele, como uma tatuagem
E por muito que o tempo corra, e por muito que o tempo voe
E por muitas marcas que o tempo costure nas nossas vidas
Jamais levará momentos nossos
Ainda que o nosso corpo vergue com a força do tempo
E as memórias vagueiem na mente do esquecimento
Ainda que não reconheçamos quem somos e o que fomos
Ainda que o tempo nos vargaste e nos obrigue a vacilar
Ainda que nos assalte a vida, e nos roube os corpos
O tempo pode levar a juventude.... o corpo.... a vida.... tudo!
Mas não tem o poder de levar o sentimento
Porque esse sobrevive para lá da matéria
O sentimento vive na alma
E a alma o tempo não leva
Sei que um dia dançaremos na chuva...eu e tu
A chuva será o nosso céu
E o sol não será mais casa...porque até isso o tempo levará
Mas nós seremos eternos...porque o sentimento é a nossa alma
E a chuva o nosso céu.....e lá dançaremos juntos a dança do amor
Sem tempo nem matéria....
Eu e Tu 

R.M.Cruz






sábado, 7 de junho de 2014

Que saudades de um beijo....


Que saudades de um beijo
Aquele beijo roubado....
E aquelas bochechas rosadas
De uma vergonha declarada, em cor de pétala de rosa
E o brilho no olhar...de quem quer mais, mas não diz
E gosto doce, misturando-se com o desejo da denuncia do corpo
Numa fúria contida, de largar tudo e agarrar-se á vida
Que saudades de um beijo
Aquele beijo primeiro...
Dado na mão, subindo ao pescoço e desfalecendo nos lábios,cansado da dura subida.
Mordendo o desejo, do deleite de um abraço
E no chão, deitados os corpos
 Rolando, esmagando-se sobre as folhas secas de Outono 
Com os olhos no céu, imaginando um futuro azul
Que saudades de um beijo
Aquele beijo ingenuo...
Que na desculpa de um jogo " verdade ou consequência"
A consequência, era a espera ansiosa do beijo desejado e dado á pressa
Uma consequência de um efemero momento, que mesmo efemero se lembra para sempre
Que saudades de um beijo
Aquele beijo sem tempo....
Em que o próprio tempo parava para ver
Duas bocas ainda crianças que cresciam na sublime magia de um amor adolescente
Em que o tempo não julga, e a saudade não aperta
 E os braços são berços de um amor recem nascido
E a palavra amo-te, acelera o ritmo cardíaco...com promessas de amor  verdadeiras
Que saudades de um beijo
Aquele beijo comprometedor....
Nos dedos um anel, feito de fios de Natureza
E ao pescoço um colar de flores amarelas como se fossem girassois anões
Nos cabelos despenteados, uma grinalda de flores brancas, como se fossem margaridas em miniatura
E o beijo no fim...selando um comprimisso de amor, para a vida inteira...
A vida inteira.... da candura ingénua de duas crianças
Que juram amarem-se,até serem velhinhos.

R.M.Cruz


(imagem Google)




quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sobre os amigos...


A amizade não é
Um dado adquirido
É um pedaço de fé
No coração de um amigo

É preciso saber cuidar
Para que contem contigo
E nas costas respeitar
O bom nome de um amigo


Já dizia a minha avó
Dizia-o com toda a razão
Quem me respeita nas costas
Mora no meu coração

Na virtude da verdade
De quem nos ama,nos quer bem
É assim na amizade
O melhor que a vida tem

Ter um amigo é ter um abraço
Nas horas dificeis da vida
Mesmo que venha o cansaço
De uma noite mal dormida

As lágrimas que ele chora
Aconchega-as em teu peito
Porque vai chegar a hora
Que vais chorar do mesmo jeito

Corre a vida desalmada
Como o carteiro em despacho
Hoje és tu que estás em cima
Amanhã estarás em baixo

Porque a vida não perdoa
É uma escola de excelência
Onde a mais dura prova
É a própria experiência

Se tens um amigo
Cuida-o pela vida fora
Só ele que fica contigo
Quando todos vão embora

Não importa a sua cor
A idade a raça a religião
Não importa o fisico nem o sexo
Amigo não é decoração

Aqui fica o meu carinho
O meu abraço, a minha gratidão
Estejam longe ou perto
Estão no meu coração

E aqueles que partiram
Lá para o alto dos céus
Foram embora e sorriram
Sem nunca me dizerem adeus.

Vivo nesta felicidade
Da minha certeza infinita
Que muito a bem da amizade
Não há coisa mais bonita

( Escrever a brincar
É rir com as palavras
Quando elas saltam
Com vontade de rimar
....vivam os amigos )                               (imagem Google)

R.M.Cruz

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Não vás ainda................



Não vás ainda.....
Finge que é cedo
O sol não espreita atrás da colina
Nem as aves voam por cima dos pinhais, as flores ainda dormem
 As gotasde orvalho não se deciparam...olha como estão cristalinas
O rio corre sereno embalando os peixes....
Os grilos e as cigarras,ainda cantam não têm pressa de voltar ás suas tocas.
Porque ainda não chegou a madrugada
Preparemos um ritual de despedida
Como se jamais nos fossemos encontrar de novo
Abraça-me!
Não me faças promessas, e serei eternamente tua
Olha-me nos olhos, mergulha dentro de mim, guardar-te-ei bem dentro da minha alma
Para que os invejosos não te encontrem, e te tirem o melhor que tens de nós
Não nos enganemos, nunca o amor foi mais forte que nada.....
O amor é liberdade!
O compromisso prende-te....ele sim é mais forte que o amor
No sentido de te ter por perto
Não tenhamos medo......quem ama, ama mesmo na ausência
O fisico nada mais é que uma ilusão
Existe para enganar os olhos..... e para honrar compromissos, e calar as bocas alheias
Bocas que se abrem em dias de vendavais, espalhando a maldicência
Entra dentro de mim....protege-te dos maus agouros
E de todos os monstros raivosos, invejosos que te querem devorar
Nasceram para engolir a felicidade de quem ama
Mas esqueceram-se que o amor não é matéria..... é indestrutível, só os seus guardiões o podem matar.
Porque o amor é confiança!
O Sol já se levantou....chegou a hora.
Vai e não olhes para trás, leva na lembrança apenas esta noite
Porque esta noite será uma fonte inesgotável
Alimentar-te-á em dias de fome...não vaciles frente aos monstros, rege-te do teu poder de amar
E caminha, como se não houvesse amanhã.
Vai amor, antes que o Sol queime as folhas do chão, e a suavidade dos teus pés seja afetada
Vai antes que ouças o rugir das ervas secas nos meus passos, antes que as aves se entristeçam
Vai antes que a lua volte e não nos encontre, temos que ser fortes, para que ela continue a brilhar
Vai antes que as gotas de orvalho deem lugar ás lágrimas, e a nossa noite fique manchada.
Vai amor, antes que seja dia
Eu fico, não espero mais por ti......sei que voarás até mim.....cada vez que enjaules o compromisso
Vivamos amor.....como se nada mais houvesse para além do nosso amor
E o resto....o resto, apenas será o resto.

R.M.Cruz

(Poema dedicado a..............................quem com ele se identificar)









sábado, 3 de maio de 2014

Amo-te Mãe!

Duas lágrimas salgadas desceram á minha boca
Espremidas pela saudade...
Saltaram dos meus olhos, como duas gotas de orvalho
Em manhãs de nevoeiro
Ouvi ao longe a melodia de um anjo
Anunciando o dia da Mãe
E no meu pesar de saudade, assaltou-me um pensamento
Quem disse que é dia da Mãe?
A resposta seguiu-se de imediato
Dia da Mãe é para quem a tem
Para quem a pode enlaçar entre os braços
E beijar-lhe o rosto com sabor a mel
E entrelaçar os dedos nos seus cabelos de chuva
E eluminar-se no seu sorriso de sol
E banhar-se na sua luz de lua
E sonhar nos seus olhos de estrelas
E voar na sua candura doce e fina de Mãe
E deitar a cabeça no seu ombro
E dizer
Amo-te Mãe!
A saudade aperta a cada lembrança tua
A tua ausencia doi tanto, que chego a confundir
A minha alma com a minha sanidade mental
Mas eu sou matéria Mãe, e tu és divina!
E no silencio da noite
Entras no meu sonho e dizes
Hoje é o teu dia filha, abre o teu sorriso
E sorri para os teus filhos.

R.M.Cruz



segunda-feira, 21 de abril de 2014

Laços e nós....


 Numa loucura desenfreada, corri para casa...
Desatei os laços que nos uniam
  Sentia-me asfixiado..... o nosso amor jazia estagnado
A sombra tomara conta das nossas fitas coloridas
Estava obcecado na morbidez dos meus sentidos
Enchi-me de uma coragem, que não era minha, e cortei os laços
Na certeza absoluta que estava no caminho certo
Nunca pensei...que os laços desfeitos, se transformariam em nós na minha garganta
E que o caminho que me afastava de ti
Não era o caminho da liberdade, mas a estrada da minha iniquidade
Caminhei para longe, convencido que levava a espada da vitória
A mesma espada que um dia iria ser a cravada nas minhas costas
Descalcei os sapatos da minha ignorância
E percebi, que a evolução é lenta.......e não é no primeiro degrau que está a subida
Para subir....precisei de descer
Para entender...precisei de provar
Para aprender...precisei de caír
Para  levantar...precisei de acordar
Senti como um banho de agulhas, perfurarem-me a alma
As lágrimas que inundaram a nossa cama, no momento da rotura
São as mesmas que me afogam agora na minha solidão
Os passos me afastaram de ti, são os mesmos que me afastam de mim
E penso em ti
E desejo voltar no tempo....
Ao invés de cortar os laços
Engrandeceria as fitas coloridas, em manhãs rosadas de primavera
Enfrentaria a fera!
Domaria os teus desejos, e acalmaria os teus sentidos
Saberia que caminho seguir..... sem nós, a apertar-me o peito e a garganta
Evoluir é voltar atrás,para ver melhor o caminho
Evoluir é causticar a cicatriz de tal forma, que possa passar por ela sem doer
É rasgar o peito sem medo, e dizer: Estou aqui.
Tal como sou.
EU!

R.M.Cruz






 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Eu nasci.....

Não nasci para ser só, nem tão pouco solidão
Não nasci para ser o nó, que aperta o teu coração


Não nasci para morrer, nem tão pouco acabar
Eu nasci para ser eterna, e o céu iluminar
 

Não nasci em corpo firme, nas tábuas de um caixão
Nasci rosa sublime, sou feita de mansidão
 

Não nasci em berço de ouro, nem em braços de marfim
Nasci do maior tesouro,que minha Mãe é para mim


Não nasci numa prisão, não sou pássaro de cativeiro
Eu nasci livre no vento, bafejo o mundo inteiro

Não nasci em banhos de mágoas,nem em choros decisivos
Eu nasci em fios de água, em sorrisos e gemidos

Não nasci no fogo lento, nem em noites de lua cheia
Eu nasci  num beijo do vento ,á luz tenue de uma candeia

Não nasci para ser rainha, nem escrava, nem senhora
Eu nasci para ser mulher a mais doce sonhadora

Não nasci para ser cravada, de espinhos em vez de rosas
Eu nasci para me perder, por entre versos e prosas

Não nasci para me emparedar, nas muralhas em que padeço
Eu nasci para me encontrar em caminhos que desconheço

Não nasci para ser usada, ser enfeite ou ornamento
Eu nasci para ser amada, por um nobre sentimento

Não nasci para ser perfeita, nem tão pouco perfeição
Eu sou mulher imperfeita, na mais bela condição

Não nasci de braços abertos, cravados na dura cruz
Eu nasci de ventre rasgado, para dar filhos á luz

RM.Cruz

 



quarta-feira, 26 de março de 2014

Não importa...

Não importa quem fui, os caminhos que percorri
Não importa os erros , nem as lágrimas que chorei
Não importa quem amei, as saudades que senti
Não importa os sonhos que sonhei, nem dos quais eu desisti
Não importa as noites acesas, nem as velas papagadas
Não importa as fraquezas, nem as mãos tão calejadas
Não importa as impurezas de noites frias sem luar
Não importa as incertezas, se irias ou não voltar
Não importa quantos amigos eu perdi na caminhada
Não importa as tempestades em que morri afogada
Não importa os julgamentos, e as culpas sem razão
Não importa os fortes ventos que me arrastaram pelo chão
Não importa os gritos em que o mundo não me ouviu
Não importa o infinito, nem as subidas ao céu
Não importa as descrenças em horas de aflição
Não importa as doenças, de que fui vitima,ou não
Não importa os mamadouros, aos jorros da minha mama
Não importam os tesouros, nem a dor de quem tanto ama
Não importa o colo nem os meus cabelos brancos
Não importa o desconsolo, nem os silêncios em prantos
Não importa as gretas, nos meus pés nus e descalços
Não importam as valetas, nem os sonos em percalços
Não importa os momentos em que fui Mãe e mulher
Não importam os tormentos que passei sem te dizer
Não importam as corridas, em gritos na madrugada
Não importa a certeza, de se ser, tudo e quase nada
Não importa as perguntas que ficaram sem respostas
Não importa as vezes que me apunhalaram pelas costas
Não importa quantas vezes eu morri e renasci
O que importa é que eu cheguei até aqui.
Bom dia amigos! R.M.Cruz

domingo, 23 de março de 2014

Deixa a porta aberta


Deixa a porta aberta
Para que eu não sinta a dor da partida
Não arrumes as chávenas de ontem
Não me digas adeus
Sai pela madrugada....antes mesmo do sol nascer
Dá-me tempo
De sentir a tua falta
Não me digas nada
Dá-me um beijo como sempre fazes
Deixa ficar na minha boca o teu sabor
Dá-me tempo
Deixa o teu perfume no ar....e os chinelos pelo chão
Não leves ainda os abraços
Abraça-me como se viesses á noitinha
Aconchega-me os lençois
Sussurra-me mais uma vez ao ouvido, que me amarás para sempre
Ainda que o sempre termine hoje
Não feches a porta, o seu estrondo seria como uma facada no meu peito
Se tens de ir...vai!
Mas não me digas adeus
Nunca voltes para vir buscar os chinelos, nem nada que te pertença
Vou pensar que morreste
Vou deixar o meu coração acreditar
Jamais eu conseguiria viver....sabendo-te com outra mulher
Pouco a pouco o teu perfume vai-se esvaecendo no ar
Se eu um dia passar por ti, direi a mim mesma que vi um fantasma
Se o meu coração teimar em sair do peito, amarralo-ei com a corda da saudade
Para que ele pense que morreste.
E se um dia eu encontrar outro amor
Dir-lhe-ei que tu nunca exististe, porque um amor não morre, nem se vai embora
E as chavenas que ficaram sobre a mesa, serão as mesmas....provarei a mim mesma
Que tu morreste, e mas deixaste por  herança.
Os teus chinelos....dar-los-ei a um pobre
E direi que são uma reliquia tua , pedirei que os trate bem
Pois eles por momentos mantiveram a tua imagem para mim....são mais dignos do que tu
Não fugirei de um novo amor
Só porque o velho se acobardou e foi embora
Não desejo que sejas feliz
Pois a felicidade é para quem está vivo, e tu morreste quando foste embora
Não foste capaz de sentar e conversar
Quem sabe evitariamos  a tua morte.
Já não estou de luto, o sol entrou pela janela, e arrancou de vez a tua imagem
Abriu-me os olhos da razão, e mostrou-me que há amor para além do teu
Fecharei para sempre as portadas da saudade
Porque onde há amor, há vida.
Onde há amor a saudade esquece-se de quem foi embora
E tu foste
Para sempre.

R.M.Cruz


(momentos que não são meus, mas que os torno meus....o poeta é um ladrão)






terça-feira, 18 de março de 2014

Até aqui chegar.....



 Vim das estrelas dos cometas, vim das galáxias
Vim dos  átmos vim da luz do infinito
Caminhei por entre os deuses e bebi da fonte do saber
Dancei com os anjos, passei pelas portas do inferno
Tudo me foi permitido
Até aqui chegar
Procurei uma caverna, entrei e encubei, até ganhar forma humana
Como uma flor que nasce da terra....nasci
Entrei num mundo completamente novo e gelado
Senti frio
Perdida..... chorei
O mundo recebeu-me com uma palmada
Senti que não era bem vinda
A partir deste momento, tudo me foi proíbido

De repente uns braços enormes, enrolam-se em mim, senti o seu cheiro
Enlaça-me de amor ,e de beijos aveludados, enche-me a face
Os seus braços eram como uma nuvem branca,aconchegando-me
 Senti o  calor do seu peito
Tive fome
Bebi das suas fontes que manavam leite e mel
Saciei-me
Vi uma linda forma humana, olhando-me com olhos de amor e dor
Senti o bater do seu coração cansado
E os seus cabelos despenteados
 Pelo seu rosto caíam gotas de suor
Que se misturavam com lágrimas de alegria
Agarrei no seu dedo, com toda a força que a vida me dera, e nunca mais o larguei!
Nesse mesmo instante, resolvi dar-lhe um nome
Chamei-lhe, Mãe!
Desde esse dia, nunca me abandonou, é como um cão me segue, como uma sombra que não se despega
Como uma chama que não se apaga
Juntas olhamos o céu, o infinito de onde eu vim
Eu suspiro
E ela diz-me
Um dia..... um dia  voaremos para casa.
E eu acredito!

R.M.Cruz





quinta-feira, 13 de março de 2014

Há dias que canso!


Há dias que canso!
Canso do teu olhar ausente, da palavra que não foi dita
Canso da porta aberta, da cama feita, do quarto arrumado
Há dias que canso!
 Canso das pedras do chão, e das pessoas que passam, das saudações forçadas
Canso da poesia,  canso das canções de amor que ouço sozinho
Canso do grito na noite e do silencio que me apavora, e canso de gostar de ti
Há dias que canso!
Canso da casa deserta, canso de te esperar, canso de ouvir o telefone com todas as vozes, menos a tua.
 Canso das aves que voam, e não me levam com elas, canso dos poetas e dos seus sonhos



 Há dias que canso!
 Canso de me lembrar de ti, canso de emaginar o teu rosto, e as tuas caricias
Canso de dançar o tango sozinho, e de me sentar na cadeira já gasta, canso da mesa da sala
Canso do cigarro aceso, canso dos desenhos que invento
Canso do teu abraço, que ainda espero, canso dos teus beijos que me prometeste, e canso de gostar de ti
Há dias que canso!
 Canso do gato que me atormenta, pedindo-me mimos, e do cão que ladra lá fora anunciando todas as visitas, menos a tua.
Canso do peito rasgado, da dor da saudade, canso do teu perfume, que fica na casa em vez de ti
Canso dos pratos na mesa, e da vela apagada que morreu  á tua espera.
Canso de olhar a lua,canso das estrelas, do sol, do mar e canso-me de mim
Há dias que canso!
Canso das flores do jardim, que se abrem na tua ausência, cando do sol que entra pela janela, quando tu não estás.
 Canso dos filhos que nunca tive, e das flores que não te dei, canso de todas as mulheres, que me lembram de ti.
Canso dos encontros que imaginei, canso do meu corpo cansado da tua ausencia, canso da expectativa que me levanta e me derruba.
Há dias que canso!
Canso do comboio que passa e não pára naquela estação, canso-me do carteiro que não trás carta tua, canso de quem me pergunta por ti.
Canso do filme e das lágrimas que choro, do frio que sinto e do calor inventado canso da revolta
Há dias que canso de gostar de ti.

R.M.Cruz

quinta-feira, 6 de março de 2014

Tanto, de nada.....



 Tanto medo,tanto cansaço
Tantos braços estendidos à espera de um abraço
Tantas bocas, tantos lamentos
Tantos corações perturbados, perdidos nos seus silêncios
Tanta cama vazia, tanta noite na solidão
Tanta magoa encoberta, à espera da uma mão
Tanto máscara imperfeita, tanta augustia da descoberta
Tanto homem no deserto
Tanta falsidade, tanta fenda aberta
Tanto coração faminto,tanta boca, tanto desejo
Tanta fome  de amor, e tanta ausência de beijo
Tanta falta de lar, tanta construção de casa
Tanto idoso sem familia, tanto pássaro sem asa

Tanto grito de liberdade,tanta garganta muda
Tanta  necessidade e tanta falta de ajuda
Tanta má educação, e tanto, de nada feito
Tanta podridão, tanta falta de respeito
Tanta ganâcia e  tanto dinheiro
Tanta falta de ética tanto galo no poleiro
Tanto irmão na desgraça, tanta ignorância á solta
Tanta desigualdade tanto grito de revolta
Tanto amor para dar, e tanto para receber
Tanta bocas a pedir e tão poucas a agradecer
Tanto sol tanta luz, tanta estrela a brilhar
Tanto homem e tanta mulher, e tanta gente sem par
Tanta panela ao lume, tanta comida a fazer
Tanta boca aberta, sem nada para comer
Tanta canção de embalar, tanta falta de consolo
Tanta criança a chorar, tanta mãe para dar  colo
Tanto carro, tanta roda, tanta gente a andar a pé
Tanta igreja, tanta religião, e tanta falta de fé
Tanto hospital cheio, tanta doença, tanto moribundo
Tanto médico sem emprego, tanta desgraça no mundo
Tanta palavra escrita, outra tanta por dizer
Tanto livro e livraria, e tanta falta de ler
Tantos braços, tantas pernas, tantas mentes tão brilhantes
Tantos bêbados ,tantas tabernas, e tantos ignorantes
Tanta homem e mulher, tanta sede e solidão
Tanta falta de entendimento e tanta violação
Tanto desiquilibrio, em tantas mentes brilhantes
Tanta praxe tanta morte, no meio dos estudantes
Tanto homem iluminado,que de tanto se apráz
Tanta filosofia, e tanta falta de paz
Tanta alma tanto ser, tanto anjo em tantos céus
Tanto demónio á solta e tanta ausência de Deus
E assim neste caminho, onde a vida é, e não é
Construimos o destino, e caminhamos sem fé
Fico-me por aqui, deserto-me da minha dor
Pois as palavras sem  atos, são ocas e sem valor
Escrevo aqui o que sinto, mas também quero fazer
Digo a verdade,não minto,  faço por acontecer
Palavras leva-as o vento, diz o povo e com razão
Mais vale viver fazendo, do que estender-mos  a mão.

R.M.Cruz






domingo, 2 de março de 2014

A alma sorri....

No silêncio da noite
Todos dormem....
Eu fico acordada...o sono não vem, as emoções do dia não me deixam repousar
O corpo agita-se, com as palpitações do coração, a alma, essa, quase abandona o corpo
O pensamento não pára, as memórias do dia ressaltam, atrapalhando-se umas ás outras, na ansia de sairem todas ao mesmo tempo.
E nesta corrida, perdem-se na memória os momentos mais puros e verdadeiros.
O corpo não descomprime e a alma cansa-se, desfalecendo no seu próprio estado....
Por entre as frestas da janela, avisto a lua, e as estrelas. Sinto-me preveligiada, tenho uma janela virada para o céu.


 E os olhos transmitem ao corpo a beleza do Universo
O corpo acalma, as memórias mais inquietas
adormecem....e a alma acorda!
Os olhos fecham-se.
Por entre as colinas da memória, pé ante pé, levantam-se as memórias dos momentos mais puros.
Um olhar,uma palavra,um toque,um sorriso......um abraço!
A alma sorri!
E o coração sorri com ela.
E enquanto o corpo adormece de exaustão, a alma e coração dançam na noite
Tendo como palco, um fundo de céu, iluminados pela luz da lua, e o sorriso das estrelas.
As emoções adormecem ao sabor da dança....Continuando pela noite dentro, agora, nas asa do sonho.
O corpo entra numa serenidade, quase morte, nem um unico gemido se ouve,apenas o bater do coração, que lhe conserva a vida.
E assim neste baloiço da vida, as emoções aguardam, uma nova aventura, e o corpo sabe que não reste muito tempo.
E agradece a cada momento, um novo presente!

R.M.Cruz






quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Eu, sou sonho.

Não me desnudem daquilo que eu sou
Caminho incerta, não sei por onde vou
Não me arranquem a inocência da minha criança
Sou bandeira erguida em verde esperança
Não me torturem... porque acredito no amor
Sou cravo sou rosa, sou espinho sou dor
Não me furem os olhos da retidão
Comam-me a carne, mas a alma não!
Não plantem veneno no meu coração
Sou ainda raíz que se ergue do chão
Não me mordam a alma como se eu fosse carne
Resgurdem-me os sonhos de um mundo infame
Não me arranquem os olhos, as minhas janelas
Mesmo fechadas, vejo através delas
Não me castrem os sentidos, nem me assolem a alma
Entre silêncios e gemidos, encontro a calma
Deixem-me sonhar, enterrem o machado
Um sonho que voa, quer ser encontrado
Não me atirem pedras, escondendo a mão
Sou cega dos olhos, mas da alma não!
Não ergam muros no meu caminho, eu quero passar
Sou alma de pássaro e sei voar!
Quero seguir, confiante no amor, sabendo que sou, alvo da dor
Quem nunca amou, não sabe viver, o crescimento da alma, vem do sofrer
Não julgues meus atos, estende-me a mão
Tudo o que faço, tem uma razão.
Não sou santa nem anjo, não sou Deus nem Universo
Sou alma errante, também caio também tropeço.
Mas de uma coisa eu tenho certeza, e assim quero continuar
O amor faz milagres, não deixarei  de o semear.
Ainda que a terra elouquça, e o homem perca a razão
Não desistirei do  sonho que trago no coração.
Podem dizer que eu sou louca, gritar ao mundo com desdém
Mesmo assim proseguirei , apanhando  as pedras que a vida tem.
E com elas subirei mais alto, tocando os céus
Degrau a degrau, ficarei mais perto de deus.



R.M.Cruz





domingo, 16 de fevereiro de 2014

Não desistas!




 Se algum diate sentires  perdido, por caminhos desconhecidos,sombrios, frios, opacos,densos.....
Não te deixes apagar....envia-me os teus pensamentos
Que o meu amor é perito em te encontrar
Mesmo que penses, que nunca chegarei a ti, não desistas!
Envia-me o teu amor, que esse,é  mais sensato que o pensamento
Mais puro!
Quando te sentires perdido, aciona o teu coração, ele voará de encontro ao meu
E me mostrará o quanto estás em perigo
Mesmo que penses que não encontras o caminho de volta
Não desistas!
Eu encontrar-te-ei!
Nunca deixes de acreditar, no amor que vive em nós
Pode parecer-te impossivel, mas tu sabes que para o amor tudo é possivel.
Mesmo que tenhas perdido a fé, e que não acredites em Deus
Acredita no amor!
Ele faz milagres!
O meu amor por ti é tão grande, que eu sentirei o teu grito,mesmo que em silêncio grites.
Não tenhas medo amor, mesmo que te esqueças de quem sou, mesmo que o teu corpo negue a minha existência, e te faça duvidar.
Não te preocupes!
Confia no nosso amor, mesmo que te sintas preso nas masmorras da memória, eu escalarei as torres da lembrança e chegarei até ti.
Mesmo que te sintas nas prefundezas do mar da inquietude,eu vestirei o meu corpo de sereia e descerei até ao fundo para te embalar no meu colo, cantarei para ti até adormeceres nas margens da serenidade.
Mesmo que os teus pensamentos, te digam que eu não te perdoarei,acredita na força do nosso amor, é lá que está o perdão.
Lembra-te amor, que eu sou o teu anjo e tu és o meu céu.
Mesmo que te sintas num deserto, e que o calor matou todas as tuas flores, não acredites,(são pensamentos ilusórios, provocados pelo calor do deserto) o teu jardim está em mim, como em mim estão as flores que plantaste.
Lembra-te amor, que em mim está o teu lar, em mim estão os teus filhos, em mim está a tua calma,em mim está o teu aconchego.
Não desistas!



R.M.Cruz



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O teu sorriso...Mãe


Tantos sorrisos se abrem para mim
Mas nenhum é como o teu....Mãe
Lembro-me tão bem....quando eu nas manhãs de Inverno, não queria ir para a escola....e tu com um sorriso, abrias as nuvens, e Sol brilhava só para mim.
Colocavas nos meus cabelos despenteados, fitas e laços coloridos e fazias neles, rios de arco iris
 E eu, de pés descalços e sacola ás costas, caminhava feliz
 E eu dizia a todos que a minha Mãe fazia magia....
Dizia que do teu sorriso, saiam raios de sol, que  brilhavam só para mim, e aqueciam o asfalto por onde os meus pés passavam, aveludando os meus passos, qual modelo numa passerelle...
Era assim que me fazias sentir Mãe.Uma princesa!
O teu sorriso,Mãe... é inegualável
Ninguém sorri como tu
Procuro na multidão, um sorriso igual ao teu...mas não encontro nenhum
Sabes Mãe... naquele dia em que caí e esfolei os joelhos,tão tenros do meu corpinho de menina e corri para ti a chorar, tamanha era a dor....Lembras-te?
E tu, calmamente usaste a tua boca, beijando-me as feridas a sorrir....
Balsamo de cura, beijo de Mãe é milagroso....a dor passou... as lágrimas secaram ...e o teu sorriso deu -me força para continuar.
Lembras-te Mãe? Quando  as colegas de escola faziam troça da nossa miséria,e chamavam-me pobre... e eu chegava a casa triste,lembras-te?
E tu com um sorriso do tamanho do mundo, dizias-me: Filha, a pobreza está na alma das pessoas....e nunca nos seus haveres.
Enriquece o teu coração de amor e verás que nunca serás pobre.
E eu, Mãe...adormecia contando estrelas, como se elas fossem a riqueza da alma,e sonhava que um dia iria ser como tu.Pobre mas nobre!
E eu na manhã seguinte, acordava com a certeza de que era rica, já não tinha medo de ir para a escola, colhia flores na berma do caminho, e oferecia-te, convicta de que era o presente mais caro do mundo, porque nele depositava todo o meu amor por ti.

E hoje Mãe...precisamente hoje, recordo o teu ultimo sorriso...aquele em que olhaste para mim serenamente,em jeito de despedida, e ali, mesmo ali, foste embora para sempre.
Hoje sou eu que sorrio...e penso...
No dia do meu aniversário Mãe? no dia do meu aniversário....elevaste-te aos ceus, numa luz tão intensa,  que me aquecia a alma e deixava-te cada vez mais fria...tão fria como a própria morte...depois Mãe,entendi, que era mesmo a morte que te levava de mim
Deixaste-me por  herança o teu sorriso.
Que eu, Mãe.... dou aos meus filhos, como tu me davas a mim.

R.M.Cruz



sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Vôo para um horizonte perdido....

A vida tem os olhos postos em nós
Porque de riqueza nos cobriu...a riqueza de uma familia feliz
Que mais pode desejar um homem?
Não importa a imperfeição em que o meu corpo se tornou...se a vida me deu o melhor do mundo
A minha familia!
Sabes amor...tenho nos olhos a ternura da tua voz, e a dádiva de me dares flores em forma de filhos...no nosso jardim amor, nascem as flores mais belas do universo...
Sabes porquê amor....porque dentro da nossa humilde casa, mora o amor, o respeito, a união
A vida sabe que pode confiar em nós, e que mais uma flor virá, para darmos ao mundo o seu perfume em forma de amor.
Queria eu dar-te um castelo, porque tu mereces, mas sabes amor, talvez dentro de um castelo não morassem as nossas flores....nem o nosso amor seria tão puro, porque a grandeza amor... não está dentro das muralhas da riqueza....
Está dentro da nossa humilde casa...e no teu colo amor, eu descanso a minha inquietude, que muitas vezes me atormenta...como abutres enjaulados dentro da minha alma, á espera que eu me torne moribundo dos meus próprios pensamentos...
Mas tu amor, acalmas-me, com o teu doce olhar...
Amo-te, porque tu nunca olhaste á imperfeição do meu corpo, elevaste  todos os sonhos que me fazem voar...
E eu vôo amor...eu vôo....
Vôo para um horizonte perdido, de um mundo perfeito, que invento a cada manhã no sorriso dos teus lábios...
E sobrevivo amor com a tua retaguarda, tu és o meu porto seguro, o meu farol de orientação, nas noites em que as tempestades me tentam derrubar....
É no teu ragaço amor...que encontro a minha paz.
Agradeço á vida por me dar uma luz em forma de mulher...
Uma casa onde a minha familia é o meu porto de abrigo...não amor, um castelo de nada nos serviria...porque o amor...presenteia-se na humildade.
Sabes amor...tenho em mim todos os sonhos do mundo.


 R.M.Cruz

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Mas tu não vieste...

Deveriamos ter cuidado melhor do nosso tempo
A vida deixa para trás quem não cuida
Deveriamos estar atentos, e saber que nada é eterno, a não ser a morte.
Sabes amor, aquele dia em que te esperei para jantar? Não, tu não sabes...
Eu tinha-me preparado para ti, despi o meu corpo de tudo, pelo chão coloquei flores, para que os teus passos, deslizassem como um rio, desaguando no meu mar feito corpo.
Mas tu não vieste.
Sabes amor,aquela viagem  de fim de semana,que tanto sonhamos? eu comprei os bilhetes para nós. Não, tu não sabes...
Eu tinha sonhado um fim de semana, para nós dois...imaginei-nos abraçados debaixo de um  céu estrelado, olhando o horizonte, contando à lua os nossos sonhos, e de quando em vez, tu beijavas-me a boca, como quem crava as promessas para sempre!

Mas tu não vieste.
Sabes amor, aquele dia em que marcamos um cinema? Não, não sabes...
Eu tinha vestido aquele vestido preto que tu tanto gostavas, e junto à pele, aquela lingerie vermelha que tu me ofereceste no dia dos namorados,lembras-te? (sei que não iamos fazer amor no cinema) mas quem sabe depois....sim, coloquei aquele perfume que só uso em ocasiões muito especiais,suavemente nos pontos do meu corpo onde desejei ser beijada.
Mas tu não vieste.
Sabes amor,aquela saída na madrugada,  em que combinamos beber um copo, depois do jantar? Não, tu não sabes.
Esperei por ti, esperei-te com o jantar na mesa, aquela comida que tu tanto adoras,acendi as velas, coloquei flores na jarra,adornei a mesa com pétalas de rosas vermelhas, comprei o melhor vinho....
Mas tu não vieste.
Imprevistos, dizes tu!
Hoje chegaste, com cara  de cãozinho que faz asneira, abraças-me como se tudo fosse normal...
Seria normal, se eu não te amasse.
Mas seria muito mais normal, se eu não ME amasse!
Tiveste o teu tempo amor, ofereci-to com todo o meu amor, mas tu desperdiçaste-o, não cuidaste, não quiseste saber.....
As velas apagaram, as rosas secaram, o perfume evaporou, o jantar azedou, o vestido rasgou,a lingerie mudou de cor, e o meu amor cansou.
Sabes porquê amor? Porque eu respeito o que tu não respeitas-te, o nosso tempo, o nosso momento, o nosso amor.
Vai....não quero que venhas.
Porque tu amor, nunca vieste.

R.M.Cruz

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Da minha janela....

Da minha janela....
Vejo o dia que chega, com cestas de madrugada
Cestas de choros...perdas inconsolaveis...sonhos desfeitos na noite...solidão
Cestas de alegria...sorrisos abraços,afetos
Gritos de mãe que desfazem a alma de quem a ouve, porque a Mãe, essa já lá não está, foi arrancada pela dor, e desventrada pela saudade....partida esquartejada.... pela morte do seu  filho.
Da minha janela...
Vejo o dia que chega com cestas de madrugada
Cestas de sonhos...sonhos desfeitos, pelas promessas ditas em surdina, na calada da noite...não há testemunhas....nem registos, das  promessas quebradas, que não foram cumpridas... por falta de amor.
Cestas de madrugada...vazias de tudo e cheias de nada...
Cestas de solidão...de um corpo curvado pelo tempo, vergastado pela vida...  e que na estrada vai perdendo tudo quanto conquistou... até a prória dignidade.
Cheias de ausência....a filha que aperta a mão do pai...tentando segura-lo á vida...mas a força cedeu e a morte venceu...as lágrimas dão lugar ao desanimo, e ela desfalece exausta no colo da impotencia.
Da minha janela....
Vejo o dia que chega com cestas de madrugada
Cestas de esperança...pelo choro da criança que nasceu, na sua pureza enalterada, abrindo ao mundo, horizontes de amor e fé
Cestas de amizade, com elos de fortaleza, uma corda que une, que não derruba, que aceita e ama, com a mesma medida do amor
Da minha janela....
Vejo o dia que chega com cestas de madrugada
Cestas de liberdade, liberdade de sonhar, de amar, de aprender, de confiar....
Abro a minha janela, e iço a bandeira da concórdia do amor e do perdão, para que os ventos da humanidade aticem a bandeira o mais alto possivel, para que seja visivel aos olhos dos que ainda, acreditam na paz!

R.M.Cruz


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sou Mulher


Não te tortures no esforço desmedido de me entenderes
Porque nem eu me entendo
Eu não sou decifrável
Sou Mulher
Não me concluas, como se eu fosse uma tese...ou o fim de um livro.

Sou um mundo infinito, mas não sou inatingivel....sou como o céu, mas desço á terra.
Sou um mar de incertezas, mas acredito na certeza do amor
Sou um rochedo nas horas de inflexibilidade, mas sou como a água transparente...entra em mim...e verás o que te mostram as minhas profundezas.
Trago em mim todos os sonhos do Mundo... e todas as quimeras, trago as manhãs de orvalho,trago medos, e segredos...
Sou Mulher
Não me decifres...nunca conseguirás, morrerás tentando
Sou a mais forte das criaturas, nunca me substimes, baseado na minha fragil candura
Não me conquistes com o teu charme....conquista-me com o teu amor
Não me compres, porque eu não sou vendável
Sou Mulher
Nunca me digas...és minha. Eu não sou de ninguém...sou um espirito selvagem livre....
Nunca  penses que me possuís sem o meu consentimento, o meu corpo podes tê-lo, mas a minha alma serei eu a oferece-la, mas terás que renascer....Porque a minha alma só a tem quem me sabe amar com a pureza de uma criança.
Sou Mulher
E posso ser o que tu quiseres, se eu sentir amor em ti.
 Nem sempre esperes palavras da minha boca...Aprende a ler os meus olhos, é com eles que eu falo
E no meu silencio...dá-me apenas um abraço....fica assim.....quieto
Nunca me beijes sem intensão....o beijo quero-o sentido.
A tua boca na minha trocam palavras indiziveis
Sou Mulher
Tenho pássaros no cabelo e flores na alma

E quando digo que te amo, não duvides!
E se te digo que te esqueci...não acredites, a mulher ama até á morte.
Não me magoes intensionalmente....corres o risco de sentir o meu veneno, lembra-te...sou tudo o que eu quiser, serei cobra.
Nunca me tires um filho...por ele, sou capaz de matar!
Nunca me tenhas como um dado adquirido...eu não sou objecto
Ama-me como a mais sublime das criaturas, faz amor comigo se eu fosse a unica.
Se vires uma lágrima caír...não me perguntes porquê...procura saber o motivo
Não abras feridas, elas sangram....já basta condição biologica
Sou Mulher
Não me decifres...não me concluas...não procures entender-me.
Sou Mulher...sim sou um mistério, até para mim.
Vive apenas e sente-me!


R.M.Cruz









terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Espero-te.....

Espero-te....
Cansada deste silêncio.... que me engole de esperança
Ele, é o meu maior aliado, e o meu pior inimigo
Neste silêncio, parece-me ouvir os teus passos, no vão das escadas
Espero anciosa, o barulho da chave a entrar na fechadura
Mas nada....
A espectativa morre...e fica novamente este silêncio assustador
Na minha cabeça cabem mil imagens simultaneas
Vejo-te beijar outra mulher, e o meu coração dispara, a um ritmo descompassado fazendo-se ouvir, de tal forma que abafa o silêncio....Não!!!
Dou um grito, para dentro de mim, tentando espantar tais imagens
Silêncio novamente...
Outra imagem...Vejo-te a fugir de mim, como quem foge de um monstro, e assusto-me com a imagem que criei.
Refugio-me dentro dos meus braços,encolho-me de tal forma, para que o monstro não cresça...e não tenha força para seguir-te....Não!!!
Volto á forma original, não posso dar asas ao monstro
Silêncio novamente...
Outra imagem.... vejo-te morto, e eu a chorar desalmadamente sobre o teu caixão....essa imagem por momentos acalenta-me a alma,consola-me... sabes porquê? Porque ali és meu...ainda que morto.
Mas depois vêm outras imagens....
A minha vida sem ti...
Sem esta espera, sem esta ansiedade, sem este bater de coração....Não, não posso viver sem ti.
E esta espera que me mata....e este silêncio que me engole, e esta espectativa que me derrota, e este meu desejo, que me queima.
Onde estás? Porque não vens? Acaso achas que sou um dado aquirido? Claro que sou! Não consigo ter outro senhor....viciaste a minha mente...ela grita-me, que sou tua!
E eu acredito, não fosse este silêncio devorador, que me acompanha na tua ansência, que me faz duvidar...
Ele sim, ele é o meu maior amante, não me larga nas noites longas em que não vens...aproveita a tua ausência e faz de mim o que quer...
Porque demoras?
É quase madrugada, e eu não durmo, o silêncio é o amante mais dedicado que tu alguma vez poderás ser...talvez por isso ele me tenha mais do que tu.
É dia....o sol começa a nascer... e eu? Eu finjo que vivo.
O silêncio saiu de mansinho pela madrugada, logo que os primeiros ruidos da cidade começaram...saiu à socapa...como saem todos os amantes.
Enfrento mais um dia, de cabeça erguida, amedrontando-me com a  noite que chega, pois nunca sei qual o amante que vem dormir comigo.
E tu, não dás sinal de ti...e eu convenço-me que sou tua!
Espero-te...
Até que o meu coração, adormeça para sempre...
 E o silêncio seja enfim.... o meu amante perpetuo.

R.M.Cruz

domingo, 19 de janeiro de 2014

Não lamento nada!

Se fosse possivel voltar a trás, faria tudo de novo
 

Não lamento as noites amargas em que me mantinha acordada, esperando por ti 
Não lamento os dias de desespero, pela duvida da tua chegada, nem as lágrimas que chorei,quando vinhas frio e cansado.
Não lamento os beijos que te dei, sabendo que não eras merecedor, não era a ti que os dava, mas á raíz do nosso amor.
Não lamento, as noites em que ficava-mos alerta,com medo que os fantasmas entrassem no nosso quarto, e eu dava-te a mão até adormeceres.
Não lamento os abraços que te dei,após um erro continuado,eu culpava-te ,mas dentro de mim sabia,que não havia culpa....a culpa era das circunstâncias da vida.

Não lamento os alertas que te dei, e que tu meramente esquecias...ou fingias ouvir...e depois vinhas a medo aninhar-te no meu colo como uma criança abandonada.
Não lamento, as horas de sobressalto, cada vez que te afastavas de casa,receosa que te esquecesses do caminho de volta.
Não lamento as rosas vermelhas na comoda do nosso quarto,lembrando-me constantemente do erro cometido,nem sei se as amava ou se as odiava, sempre te disse que um erro não se conserta com pétalas de rosas...a solução é não o cometer.
Não lamento a cedência da minha vontade, no sentido de te ver feliz, nem as horas que passei no sofá vendo  futebol, ou apenas olhando para ti, e gritando golooooooo, mesmo que isso não me dissesse absolutamente nada....ver-te sorrir,transmitia-me vibrações de felicidade e contagiava-me

Não lamento, todas as lágrimas,todos os ais,todos os gritos,todos os desejos,todos os sonhos,todas as promessas,todas as desilusões, não lamento nada!
Sabes porquê, porque tudo isso fez crescer o nosso amor, onde antes havia ciumes, hoje há confiança,onde  havia medo,hoje há coragem,onde havia solidão há partilha,onde havia silencio,há conversa,onde havia lágrima,há sorriso,onde havia posseção......hoje há liberdade.....
Toda a vida que está para trás é que fez de mim/de nós,o que somos hoje.
Pessoas mais sensatas, mais amigas,mais compreensivas, mais humildes,mais gratas.

Onde antes havia sexo na ansia de obter prazer, hoje há amor sem ansia de obter nada,porque sabemos que tudo acontece na serenidade de um toque.
Onde antes havia descontentamento,hoje há um abraço,onde antes havia... vai tu, eu não vou,hoje vamos juntos,  muitas vezes vamos apenas no coração um do outro, e nunca vamos sozinhos.
Onde antes haviam dois jovens com sede de vida, hoje há dois adultos saciados de amor.
Onde antes o mundo era um caos,hoje são apenas ruinas, que preservamos como património da nossa história,para nos lembrarmos o quanto fomos guerreiros.
Não lamento nada!
Hoje os filhos e os netos lêem o nosso livro, e tenho certeza que algumas das paginas, lhes darão forças para caminharem.
Agradeço a ti... a mim... a nós, por sermos os herois da nossa história.


R.M.Cruz



sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Tu vives em mim

Caminho por entre a multidão
Procurando um olhar que me cative
Nada há de novo, nenhum olhar me fala
Nenhum toque me desperta,nenhum sorriso me fascina, nenhum corpo me deslumbra
Nenhuma mente é brilhante, nenhum dialogo me prende, nenhuma caricia me toca
Tu vives em mim
Talvez por isso  tranque todas as possibilidades
Tudo o que aprendi contigo, está aqui
Ninguém me dá nada
Porque tu deste-me tudo
Acordaste-me do meu sono de menina, e despertaste a mulher que há em mim
O teu sorriso iluminou o meu caminho,o teu olhar espantou as minhas sombras
Esculturas-te o teu corpo no meu, perpetuando uma obra de arte 
Tenho as tuas formas em mim
Entraste em mim, e eu recebi-te, abri-me para ti, qual flor que se abre ao sol
Tu eras o meu livro sagrado, as tuas palavras eram bíblicas
Tu vives em mim
Caminho por entre a multidão
E nada me surpreende, tu mostraste-me tudo
Nenhum perfume se iguala ao teu, de que flores foi extraído?
Suponho que são flores enviadas de um lugar que só tu conheces
Os teus beijos, cravaram-se na minha boca, como um punhal de ilusionista
A tua volúpia percorre as minhas veias, como veneno de cascavel
Os meus seios, têm o molde das tuas mãos, outra qualquer mão não se encaixa neles
Assim como as minhas coxas, e o meu umbigo, as minhas ancas,as minhas nádegas, e todo o meu corpo.
Nenhum Deus por mais perfeito que seja,  se consegue igualar a ti.
Que me perdoem os Deuses
Tu vives em mim
Caminho por entre a multidão
Na esperança que o vento me conduza a outra terra,outro planeta, o mundo de onde tu vieste
Para que eu encontre alguém como tu
Alguém que te desmolde de mim....alguém que quebre a escultura, e a refaça com outras formas
Alguém que te mate em mim, para que eu possa ressurgir, e voltar de novo á forma original
É urgente que o meu coração se cure da cegueira que lhe causaste
Para que os meus olhos consigam ver de novo
É urgente que alguém desperte a menina que há em mim
Para que eu volte de novo a ser mulher.

R.M.Cruz





sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A VIDA EM MOVIMENTO

Vou dizer-te cá do fundo
Um segredo bem guardado
Andas na boca do mundo
 E por ele és devorado

Não te intristeças com isso
Porque nada vais mudar
Honra o teu compromisso
E a tua forma de estar

A tua vida a ti pertence
Disfruta-a ....ela é só tua
Cuida o corpo, e da alma
Andes vestida ou nua

Não te importes com o que falam
As palavras têm o peso que lhe quisermos dar
Podes transformar o ódio
 E a sorte em azar

Tudo está nas tuas mãos
No teu coração e na mente
Trata a todos como irmãos
E vive o teu melhor presente

Nunca subestimes uma alma
Um corpo ou uma cor
Sê adepto da calma
E da ira ...faz amor

Vive despreocupada/o
Deixa lá falar o mundo
O que conta é o teu estado
Sejas rico ou vagabundo

Beija ,abraça ,agarra,morde
Dá asas ao sentimento
Ama, grita, sofre e morre
É a vida em movimento

Nunca deixes confundir
Quando a burrice te bate á porta
Por seres humilde e amigo
Não és nenhum idota

Não se confundam as vozes
Nem te levem por ótário
"Dá deus os dentes a quem não tem nozes"
É um mundo feito ao contrário

O Universo te guie
E te dê a sua luz
Que o teu coração confie
Ao que a tua alma conduz

Se assim viveres a vida
Respeitando os demais
Podes te dar por feliz
Serás o melhor dos mortais

R.M.Cruz

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Que faço com as lembranças???

Que faço com as lembranças?
Elas assaltam-me o pensamento, quando estou desprevenida
Tento viver cada momento novo, deixando para trás toda nossa história...
Uma roda de amigos...anedotas, gargalhadas...um amigo mais intimo,um sorriso
Aparentemente tudo parece normal ...não fossem as lembranças assaltarem-me a memória á facada,assim de repente...záz!
Tudo muda! Uma lágrima tenta romper a fronteira entre os meus olhos e o mundo....afasto-me um pouco,para que o mundo não veja...
Então dou liberdade ás lágrimas e ás lembranças...são mais fortes do que eu, muito mais fortes!
Num momento tudo passa na minha memória...o teu cheiro (incrivel nunca pensei que cheiro também se memoriza) o teu abraço, a tua imagem...um beijo,uma orquidea branca.
As juras que fizemos um ao outro, naquela passagem de ano,os desejos que juntos desejamos,os planos,os sonhos...tudo me assaltou o pensamento.
É fácil dizer: a vida continua......pois continua...mas a um preço muito elevado...
O preço dos nossos sonhos penhorados,das nossas juras afogadas,dos nossos desejos castrados,das nossas lágrimas inclausuradas...
Tenho saudades de ti....do teu abraço unico,do teu beijo sublime,do teu desejo por mim, tenho saudades da nossa passagem de ano...
Lembro-me do nosso refugio, onde só o crepitar da lareira se ouvia...como musica de fundo aos nossos sentidos....e nós não queriamos saber do mundo,como se o mundo quisesse roubar-nos os sonhos.
Lembro-me bem, do primeiro dia do ano....quando acordamos no chão da sala...com a lareira apagada...por certo também cansada,de tantas juras e desejos,de tantos planos e sonhos...
Nesse dia, juramos que a nossa vida começava ali!
E começou amor...começou a desmoronar...até hoje não sei quem soprou os nossos sonhos,quem roubou os nossos desejos, quem saqueou as nossas promessas...terá sido a lareira? Era a nossa unica testemunha...porque é que ela apagou? Talvez para deixar a nu tudo o que era nosso...fomos imprudentes!
De repente....uma voz me chama,  saio apressadamente de dentro de mim...escondo a tua fotografia,que precisei de beijar,para agravar o meu sofrimento (masoquismo) recolho as lágrimas á pressa, limpo o rosto, bebo as recordações,retoco a maquilhagem,endireito os ombros, desenho um sorriso, acendo um cigarro, e disfarço-me de mulher feliz.
Continuo a caminhada,com novos amigos,novas conversas, novos desejos,novas promessas.
Sei que tenho que deitar fora tudo o que é velho...mas ainda não me ensinaram a deitar fora as lembranças...se alguém souber como se faz,por favor avise-me!
Entretanto viverei na personagem de mulher feliz!
Estou de novo a cantar, dou garagalhadas sonantes,para abafar os
meus ais...seguro um copo de vinho, e vou bebericando para que as lembranças se afoguem, para que o azedume da vida não se note,para que o mundo veja,que eu estou bem.
Disfarço bem!
Só eu sei o que vive dentro de mim, só eu sei!
E uma pergunta paira no meu coração...será que tu também vestes o personagem de homem feliz?

R.M.Cruz