sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Ainda nos restam os afetos

O tempo passa, meu amor
E os olhos já não vêm como viam
E o corpo verga-se com dor
Nas colinas onde outrora dormiam
                           E o sorriso só se abre num lamento
                           Dos tempos que passaram e não vimos
                           O coração já não canta ao relento
                     Nas noites frias, em que quentes dormimos
O sangue já não pulsa tão depressa
Corre lento nas veias, meu amor
E os sonhos não passaram de promessas
De um passado,no presente sem calor
                           As mãos, não são firmes como dantes
                           E os caminhos trémulos são de gestos
                           Ao luar em que já fomos dois amantes
                Graças à vida que ainda nos restam os afetos
E as  lembranças que arrancam um sorriso
Acordando no coração a nostalgia
As emoções surgem de um distante paraíso
De sonhos de fadas e de utopia
                            Ainda que o sonho fique distante
                            De vida, somos feitos e de amor
                            Vivamos cada hora cada instante
                             Antes que a morte nos separe sem pudor
Antes que o nosso coração pare de vez
E as saudades batam à nossa porta
Entrelacemos os corpos e outra vez
Sonhemos meu amor,mas sem derrota
                            Juntos havemos de vencer
                            O cansaço e a ruguês dos nossos corpos
                             Ainda há formas de acendermos o prazer
                             Na clareira da vida, onde quase estamos mortos
A pele há-de arrepiar como em tempos
E o corpo há-de vibrar ainda que lento
Apostemos na vida e nos momentos
Não nos gastemos no desgosto e no lamento
                         

R.M.Cruz 
                          




quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Tu


Tu que carregas no peito a dor do mundo
E Trazes nas costas o peso da saudade
Tu que sabes de onde vem  a maldade  E nada podes fazer para a impedir
Tu que esperas o silêncio da noite e dobras a tua alma em preces de amor
Que esperas o retorno dos anjos com mensagens de paz
Tu que sentes a dor de quem em silêncio te mostra a sua magoa
E nas tuas orações nunca te esqueces dos amigos, mesmo sabendo que eles se esquecem de ti
Tu que procuras a fonte da alegria e da magia
Tu que vês no idoso o teu próprio futuro, e respeitas,guardas e acarinhas,pois sabes que o retorno é infalível
Tu que olhas para os teus pais com o coração cheio de gratidão e agradeces todo o bem recebido,sem esquecer os sermões e alguns nãos
Tu que estendes as mãos, a alma e o coração,sem pedires nada em troca
Tu que olhas a lua e pedes que ilumine todas as casas, e não falte o pão e o amor em nenhuma delas
Tu que olhas para o outro sem julgar,pois sabes que cada ser é diferente,mesmo que pareçamos todos iguais
Tu que estás cansada/o de ver tanta miséria no mundo, e tentas melhorar o que está ao teu alcance
Tu que sabes que erras e admites o erro,tu que te responsabilizas pelas tuas atitudes,ainda que muitas vezes não sejam as mais corretas
Tu que sabes que as desculpas podem ser evitadas,mas não sendo as sabes pedir
Tu que arriscas tudo para bem dos que te rodeiam,muitas vezes ignorando o teu bem estar
Tu que sabes que não és perfeito/a  e caminhas na aprendizagem de como costurar pedacinhos de corações rotos
Tu que acreditas na humanidade,mesmo sabendo que ela caminha para um precipício
Para ti alma de amor, elevo o meu coração em preces de louvor

R.M.Cruz



domingo, 3 de junho de 2018

Não basta ser Mãe

Ela ouvira as palavras como facas a enterrarem-se-lhe na alma.Não podia fazer nada,a não ser deixar-se"morrer"....
Não sabia o motivo de tanta dor,ela sempre pensou que fez o melhor por ele e para ele
Abriu o coração e gritou-lhe que o amava, e ele gritou ainda mais, que não acreditava
Ela não sabia de onde vinha tanta amargura, e chegou a pensar que o seu amor aos olhos dele era como veneno,que não mata,mas enlouquece,tamanha era a loucura dos seus desaforos
As palavras saíam como agulhas enterrando-se na alma até ao  mais profundo do seu ser, sem piedade,sem rumo,sem direcção.Ele não parava para respirar...era como se quisesse lançar tudo de uma só vez,num fôlego só
Ela não conseguiu argumentar,não havia argumento possível para tanta ira
Finalmente fez-se luz!
Algures em algum momento,ela o magoou,não sabe onde,não sabe como,não sabe quando
A dor enjaulada,transforma-se num monstro devorador de paz
A dor encarcerada,transforma-se na maior assassina de felicidade,da tranquilidade,da vida
Há feridas que não saram...
Por mais que ela o amasse,esse amor não foi suficiente para o curar
Nem mesmo o seu grande coração de Mãe conseguiu sarar aquela ferida,que ela própria abrira sem saber como nem porquê.
O ventre rasgado não conta,as noites sem dormir não contam,as lágrimas choradas não contam,os desassossegos não contam,o abdicar dela em prol dele,não conta...Nada conta!
Não,no amor de Mãe nada se contabiliza a não ser as dores causadas
Ela tem a consciência tranquila,sabe que fez o melhor que sabia,o melhor que podia
Hoje ela sabe que nem sempre o amor que damos é recebido,entendido,aceite
Hoje ela sabe que por mais que faça,nunca fará nada,por mais que dê,nunca dará nada
Hoje ela sabe,que as palavras que a feriram, foram as mesmas que a fizeram acordar
Hoje ela sabe que não basta ser Mãe,é necessário ser estranha,onde a dor não entranha 
Hoje ela sabe que ser Mãe,não é ser carrasca do amor pelo próprio filho
Hoje ela entendeu,que por muito que ame o seu filho nunca poderá mudar os sentimentos dele a seu favor
O que ela não sabe, é que o seu melhor,foi o pior para ele
Hoje ela pensou em desistir
Não podia fazer nada, a não ser deixar-se "morrer"
"Há sempre alguém que te abre a porta,desabafos de uma Mãe"
R.M.Cruz

  
 

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Vai!

Já não quero ir por aí
Perdi a minha bússola e desorientei-me
Ainda bem
Consegui reajustar as minhas prioridades
E tu já não és uma delas
Já não caminho contigo no mesmo caminho
Porque tu nunca conseguiste sentir os meus passos
Nunca entendeste o amor que envolvia a nossa caminhada
Compreendi que o amor envolvido era apenas meu
Podes seguir,vai!
Não olhes para trás,porque não me verás
Nem olhes para o chão porque não verás as minhas pegadas
Cansei de te dar a mão, e sentir o peso da caminhada
Sentia o puxar de uma corda rasgando a pele das minhas mãos 
Não,não quero mais caminhar a teu lado,nem atrás,nem à frente
Eu só quero mudar de caminho
Deitei fora a minha bússola,quero seguir-me pelo destino
Sei que vou a lugares apaziguadores
Onde não sinto o teu gesto brusco puxando-me,como quem carrega um fardo
Vai, segue a tua bússola,mas não me incluas na caminhada
Eu sei que não quero ir por aí
A vida mostrou-me um pouco tarde
Que mais vale caminhar sozinho e em paz
Às vezes a companhia é a mais profunda solidão
Eu farei o meu caminho, e saberei por onde ir
Podes largar-me as mãos,já não serei um fardo para ti
Vai!


(Uma história, duas vidas)
R.M.Cruz  

domingo, 21 de janeiro de 2018

Tu decides.


Não chores...
O teu coração está partido,mas a tua alma continua intacta
Debruça-te sobre o que aconteceu e reflecte
Ninguém entra na nossa vida sem a nossa permissão
De igual modo ninguém sai dela
Porque o sentimento és tu quem o tem
Tu decides se ele fica ou vai com quem se foi
Não chores...
Não aprisiones um sentimento  que te destrói,que te regela a alma
Por alguém que foi embora ,sem se importar se ficavas bem ou mal
Que não pensou em ti como uma formula de nós
É necessário cuidar antes de partir
Acostumar o coração há ausência do outro
Nunca um amor deve ser decepado
Simplesmente deve ser transplantado
O amor nunca em tempo algum deveria causar sofrimento
Amor é o bem do mundo...nunca deve ser mal tratado
Não chores...
Deixa ir...deixa voar,deixa livre
A vida é muito curta,não te prendas por nada que já não é teu
Reflecte sobre o bem que foi,o bem que fez, o bem que será
Abre as janelas,deixa sair esse amor que já não é teu
Areja o teu interior,deixa o vento entrar em todos os recantos
Para que não fique nada por varrer
Limpa a tua casa,a tua alma necessita de repousar
Vais ver que tudo se renova,não há nada que seja para sempre
Acabaste de o constatar
Os amores eternos são raros,como rara é a honestidade
Não chores...
Tu mereces outro amor,um amor que tenha prazer em ficar
Que te ame com tudo o que ÉS
Que fique com alegria, abraços e beijos
Que fique sem vergonha,sem medo,sem preconceito
Que fique livre,como livre é a tua alma
Livre é todo o amor do mundo
Não chores....chegou a hora dedecidires
Decide SER FELIZ!

R.M.Cruz  





quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Espero-te!


A avaliar pela luz da lua,hoje sei que virás
Os caminhos iluminados trazem-te até mim
A janela não se fechou,na expectativa de te ver ao longe
A curva do caminho é a minha esperança
Sei que estás para lá dela,e que caminhas para cá
Fixo-a no silêncio,até que o meu suspiro se solte
E rejubile de alegria
Sei que virás!
Sabes onde me encontrar, não há caminhos escuros
Tu sabes que eu te espero de alma iluminada
O meu corpo todo ele é estrelas,esperando o teu
Para que juntos se dê a fusão e se faça céu
 Deixei a porta entreaberta...não precisas bater
Quando te avistar ao virar da curva,corro para o quarto
E espero-te de braços abertos
Envolverei o teu corpo orvalhado e frio
E o aquecerei,até que te sintas meu
A avaliar pela luz da lua, sei que hoje virás
O meu coração já palpita,sinal que estás perto
Talvez ao virar da esquina
Não te demores, com medo das sombras do caminho
Nem com os sons dos animais noturnos
Que o amor que tens dentro de ti ,seja a força suficiente para não vacilares
É só o caminho até à curva, segue a luz da lua
Não receies
Não voltes para trás
Trás-me o teu amor e tudo o que provem dele
É só o caminho até à curva
A porta está entreaberta, já te vejo na colina, aceno-te e não corro para o quarto
Corro para ti, para que me vejas, e tenhas a certeza que sou eu
Dou-te a mão, e segues-me
Já não há medo,a lua continua no céu,ela sabe o que vai acontecer
Ela sabe que vamos subir até ela

R.M.Cruz
(foto R.M.Cruz)




sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Corta-me as correntes

Não sou moralista,não sou sábia,não sou juiz
Eu apenas quero ser,uma pequena aprendiz
Não falem em meu nome,nem da razão que não tenho
Chove na minha alma, saudades de onde venho
Não quero ser a bandeira,a meia haste estendida
Quero ser o próprio sangue,esvaindo-se de vida
Não quero ser a cova,onde enterrarão teu caixão
Quero ser o sopro de ar, de vida no teu coração
Se me dais de beber, não me castigueis a alma
A criança quando nasce ,só nos braços da mãe se acalma
Deito o meu rosto na areia,para sentir o calor
A noite de lua cheia de onde provém tanto amor
E o veneno que arde em mim, de pecado concebida
  São os cactos do jardim ,que me deste nesta vida
Não choreis a minha morte,alegrem-se os vossos olhos

Corta-me as correntes, que aprisionam meu ser
Abre-me a janela da vida, livra-me do meu viver
Vivo de alma algemada,como um pássaro enjaulado
Presa na teia da vida, enterrada ao meu passado
Vivi num mundo de sorte, onde tive amor aos molhos
Não quero o paraíso nem as trevas da escuridão
Quero apenas os teus olhos,que me levam pela mão
Leva-me para o infinito, onde não haja matéria
Onde eu possa ser o grito, da minha própria miséria
Cavalguemos sobre o tempo, de uma vida que não tem fim
Onde não haja lamento, nem chuva dentro de mim
Onde nada me faz sentir,o peso da desilusão
Onde meus olhos não vejam a dor do meu coração
Faz-me tua para sempre, queima-me na noite escura
Faz-me renascer das cinzas,numa nova criatura


(Almas que gritam silenciosas)
R.M.Cruz