sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Corta-me as correntes

Não sou moralista,não sou sábia,não sou juiz
Eu apenas quero ser,uma pequena aprendiz
Não falem em meu nome,nem da razão que não tenho
Chove na minha alma, saudades de onde venho
Não quero ser a bandeira,a meia haste estendida
Quero ser o próprio sangue,esvaindo-se de vida
Não quero ser a cova,onde enterrarão teu caixão
Quero ser o sopro de ar, de vida no teu coração
Se me dais de beber, não me castigueis a alma
A criança quando nasce ,só nos braços da mãe se acalma
Deito o meu rosto na areia,para sentir o calor
A noite de lua cheia de onde provém tanto amor
E o veneno que arde em mim, de pecado concebida
  São os cactos do jardim ,que me deste nesta vida
Não choreis a minha morte,alegrem-se os vossos olhos

Corta-me as correntes, que aprisionam meu ser
Abre-me a janela da vida, livra-me do meu viver
Vivo de alma algemada,como um pássaro enjaulado
Presa na teia da vida, enterrada ao meu passado
Vivi num mundo de sorte, onde tive amor aos molhos
Não quero o paraíso nem as trevas da escuridão
Quero apenas os teus olhos,que me levam pela mão
Leva-me para o infinito, onde não haja matéria
Onde eu possa ser o grito, da minha própria miséria
Cavalguemos sobre o tempo, de uma vida que não tem fim
Onde não haja lamento, nem chuva dentro de mim
Onde nada me faz sentir,o peso da desilusão
Onde meus olhos não vejam a dor do meu coração
Faz-me tua para sempre, queima-me na noite escura
Faz-me renascer das cinzas,numa nova criatura


(Almas que gritam silenciosas)
R.M.Cruz

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Sabia que te encontraria


Rodopiando pela estrada da vida, sem medos e a abarrotar de sonhos
Sonhos que transbordavam dos pés, das mãos ,da boca do coração, da alma...
Sabia que te encontraria
Algures,não sabia onde,mas sabia que a qualquer momento te encontraria
Porque quando se é jovem e cheia de sonhos,acreditamos que o amor está ao virar da esquina
E tu estarias lá,eu sabia
Os sonhos alimentavam a minha certeza.
O livro da minha vida seria escrito por mim, e por mim seriam dadas todas as directrizes para um final feliz
Como em todos os contos de fadas.....o final seria triunfante!
Não haveria monstros nem madrastas,nem bruxas más
Não haveria criados nem escravatura, nem amores proibidos, nem cores estipuladas
Não haveria estereótipos nem preconceitos
Dizem que os anjos não têm sexo, assim eu escreveria a lei do amor...sem sexo!
E tu estarias lá,eu sabia
Serias uma espécie de guerreiro do amor,que me resgataria da estrada e me levaria para o alto da montanha
Ali construiríamos a nossa casa,sem palácios nem ouros,nem nada que nos fizesse corromper a dotes e posses monetárias.
Seriamos como dois indígenas,que vivem apenas da natureza e do bem do coração
Caminharíamos por toda a terra,alimentando-nos do que brota dela, e do bem dos corações da humanidade
Os nossos filhos andariam despidos de tudo o que lhes apoquentasse o corpo e a alma
Não seria bem o nosso caso,pois a nossa alma já se vestira da responsabilidade ao  sermos pais
Com o decorrer do tempo,constatei que de facto estavas lá ao virar da esquina
Mas o livro foi-se alterando,já não tem a forma do meu ideal
Os filhos vieram lindos e despidos,mas a sociedade vestiu-os e apoquentou-os
Nós não construirmos a casa na montanha,antes de nós, chegarmos já outros a derrubaram
Aboliram a lei do amor sem sexo, há ainda os resistentes e sonhadores,que não desistem de um mundo utópico.Mas há também os violadores, os mercenários os destruidores de sonhos,os sombrios,os malvados,os que não conseguem ver a luz, esses teimam em destruir o meu livro.
Os ouros,os palácios os dinheiros... rasgaram as almas e penetraram tão fundo que comandam o mundo
Esse mundo escraviza, estipula,manda,compra,vende,manipula, mata...
As cores persistem em rotular os sexos, para confundir o amor
Resta-nos cuidar do amor que nos une, restaurar as brechas,sarar as feridas,abri-lhes a janela,e deixa-lo voar,sem medo do mundo onde não foi idealizado.
Resta-nos ter esperança nos resistentes,nos sonhadores,nos que acreditam que não há rendição, só libertação e bem querer
Resta-nos acreditar que o livro vai ser reinscrito por criaturas divinas,talvez os anjos
Resta-nos abraçar o que temos e transformar o que está ao nosso alcance
Resta-nos,cuidar do nosso pequeno mundo,ainda que as lacunas existam
Resta-nos acordar os sonhos e continuar a caminhar de mãos  dadas
Resta-nos pouco tempo para finalizar o nosso livro,encaminhemos a nossa história para um fim triunfante.
Um fim onde tu eu sejamos indígenas e onde o céu nos aguarda para um recomeço
R.M.Cruz




   

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Há amores que são para a vida................inteira!


Há amores que são para a vida inteira....
Assim é o vosso,não pela longevidade dos dias...mas pela resistência nas batalhas
Já lá vão alguns anos,em que eram jovens esbeltos,cheios de sonhos e de quimeras,vorazes em tudo o que faziam,sempre de mãos dadas fazendo promessas de amor....
O tempo foi passando e cravou em vós as cicatrizes de uma vida,cheia de espinhos,mas com muitas rosas...
Não foram em vão as vossas lutas,muitas vezes adiando os vossos desejos em prol de um amor maior...os vossos filhos!
Quantas noites sem dormir,quantas fadigas passaram,mas nunca desistiram,nunca largaram as mãos nem os sonhos,sempre cúmplices para o bem e para o mal
Memórias de um tempo em que juraram fidelidade na saúde e na doença,juraram e cumprem.Assim fossem todos os casais...não é só no vigor da juventude que se deve amar,não é só quando o sorriso é doce e os olhos estão cobertos de paixão e o corpo grita de desejo...O amor é muito para além disso,muito para lá do que os olhos podem ver,o amor é uma noite mal dormida,é um chá,é uma dor de barriga,o amor é o desespero de um filho doente, de um que não está de outro que não chega.O amor é a casa vazia ...mas cheia de lembranças que voltam a cada fim de semana.
O amor é  uma dor que não passa,é uma lágrima que cai,é um abraço que se dá,é um olhar que fala,é um silêncio que grita.
Assim é o vosso amor,nas trincheiras da vida sempre em alerta,para que tudo corra pelo melhor,ainda que haja dias que são um verdadeiro degredo,e o segredo que fica só entre os dois.
Há uma chave que não entra na porta,  e as horas já vão altas,não tarda nada e é dia, e o sonho não ficou para trás,salta de dia em dia acompanhando o coração que o deseja fortemente realizado.E a doença que ameaça, e a duvida que assalta, e a certeza que o amor é para a vida inteira,esse amor puro que é o alicerce da vossa casa.
Sim há amores que são para a vida inteira....Porque há amores que morrem ao primeiro cabelo branco à primeira ruga...há amores que morrem aos primeiros passos,há amores que morrem antes de terem nascido.
O vosso já tem muitos cabelos brancos,algumas rugas,alguns caminhos percorridos,algumas escaladas.
O amor não se mede pelo tempo,nem pelo espaço,nem pelo tamanho,nem pela intensidade,o amor mede-se pelo respeito,pela paciência,pelo dignidade,pelo altruísmo em prol um do outro e juntos em prol de todos.Assim é o vosso amor,no respeito pelos filhos,na educação,na liberdade com responsabilidade.
O amor mede-se pelas pessoas que vos rodeiam,pelos amigos que cuidam,pela entrada em vossa casa,como se fosse nossa,pela vossa disponibilidade e generosidade,pela ajuda a quem precisa
Já passaram alguns anos,muitos mesmo, e vocês continuam de mãos dadas,na saúde e na doença,na alegria e na tristeza...
 E há sempre um prato a mais na vossa mesa,para quem vier por bem...e sempre uma cama com lençóis lavados para descansar,há sempre um sorriso uma palavra amiga.Sim é isso que faz de vós pessoas dignas pessoas de valor,pessoas de amor.
Que sempre os anjos guardem a vossa casa, a vossa mesa,o vosso salário,a vossa união,porque se vós estivéreis bem todos que vos rodeiam têm o privilégio da vossa luz.
Que os anjos protejam os vossos filhos,a luz dos vossos olhos,pedaços de vós.
Há amores que são eternos...

Dedicado a duas pessoas muito especiais na minha vida A e Z
Com carinho :R.M.Cruz









sexta-feira, 21 de julho de 2017

Um anjo no cais....


Caminho de novo sozinho como alma perdida no tempo
Não lamento os mares que cruzei,
Nem as noites em que não dormi
As pernas bambaleiam o coração não sabe voltar para casa
Olho o horizonte, e só vejo um barco perdido no cais
Assim sou eu perdido de ti,assim sou eu perdido de mim
Uma gaivota emproa-se no velho barco, e o casco bate contra o cais
Em sons secos e molhados,consoante as marés
É um som solitário, que ecoa dentro do meu peito
E neste desconfortante deserto de ti, não sei onde estou
A minha alma, evadiu-se do meu corpo,procurando a tua....
Deixou-me abandonado ás maldades da existência
Dói mais não saber de ti,do que saber-me perdido
Olho o cais de olhos fechados...e imagino um anjo branco caminhando nos escombros
Sinto o rosto fustigado pela fúria dos ventos, e som do barco contra o cais,persiste em me atormentar
Sinto o teu perfume,por entre o odor das águas mortas
Morri, e esse é o meu próprio cheiro
Não quero abrir os olhos,a tua imagem, mantém-se sobre o negro barco
Não houve um adeus,um até já,apenas te vi partir sem hora marcada
E hoje vejo-te de olhos fechados.
Nunca te vi tão bem
A cada passo que dás,deslizas como se não tivesses corpo
Os teus pés não tocam o chão,flutuas sobre as águas mortas
E eu ando perdido
Não sei voltar para casa
Dizem que a nossa casa está onde mora
a nossa alma
Então é para lá que devo ir
Mas não sei que caminho seguir
É neste momento que me estendes a mão,sei que és tu,pelo calor que emana
Cheira-me a maresia
E sinto-me perto,tão perto...
Há um anjo no cais,és tu que me esperas meu amor
Encontrei-te,encontrando-me
E a dor já não a sinto
E o barco?
As águas já se agitaram e o barco seguiu mar adentro
E eu meu amor? Eu finalmente estou em casa...
Há almas que morrem para viverem juntas

R.M.Cruz
(Foto:R.M.Cruz) 





quinta-feira, 18 de maio de 2017

O amor não foi suficiente....


Eu julgava que o amor era eterno e que  de dentro do nosso coração nada poderia arrancar os dias de sol e as noites de amor...
Eu sempre acreditei que dentro dos teus olhos não haveria outro homem para além de mim
E ainda acreditaria, se tu me fizesses crer!
 Quando te estendo as mãos e tu  recusas,quando te afago o rosto e tu te afastas,quando te abraço forte e tu me desprezas.
Lembro-me ainda dos dias em que ambos fazíamos promessas eternas de amor infinito
Promessas que morreram antes de nascerem
O mundo gira, a vida corre,os anos amontoam-se como pedras nas minhas costas,e tu?
Tu não estás presente na minha vida,ainda que finjas que estás
Voltaste,mas não para mim
Sinto a estrada deserta, e a cama vazia,sinto as pernas bambas com o peso das pedras,pedras que tu sem dó nem piedade foste carregando em cima do meu coração, com elas não consigo construir um castelo,ao invés disso construo um muro
Um muro que me separa das tuas promessas mortas,de um horizonte que nunca será o meu.
Derrubaste todos os meus sonhos,destruíste a esperança e arrancaste-me a fé, como quem arranca um filho dos braços de uma mãe.
Confiei em ti como quem confia em Deus, dei-me de corpo e alma,porque entendia que no amor tudo vale,mas tu mostraste-me o contrário,o amor não vale nada.
Não há amor que sustente a nossa relação,não! Não esse amor de que falas,sem madrugadas de sonhos,sem aconchegos,sem afetos,sem respeito,sem nada!
Foste a minha deusa,a minha maior alegria,o meu sonho,o meu infinito céu azul
Foste o meu campo de trigo, a minha lua,a minha estrela da manhã....
Porque desrespeitaste todo o amor que te dei?
Porque duvidaste de mim?
Encheste-me a alma de um vazio tão ácido que sinto as chamas a queimarem-me lentamente,como se eu fosse um papel húmido,uma erva daninha ,um cesto de lixo,uma caldeira de ódio, um monte de sentimentos imundos...
Não,não és a Bela e eu o monstro de que me acusas
Tu sabes o que eu fui para ti,mas também sei o que tu foste para mim
Hoje sinto-me só
Hoje sei quem me ama de verdade
O meu cão,ele sim não vê outro homem para além de mim
Ele sim é o meu grande amor
Esse sim, amar-me-á eternamente até que o meu corpo desça à terra
Hoje sinto-me baralhado,confuso,triste....
Sabes porquê?
Porque tudo o que fui já não sou,tudo o que me deste transformou a minha vida,o meu sentir.
Não consigo ver a vida a cores,para mim tudo é cinzento e preto,tudo é sombrio e frio
Vai,vai sem olhar para trás,não deixes o teu cheiro pela casa,leva-o contigo,não deixes nada que me possa recordar o teu nome
Vai, esquece que um dia te amei,esquece que foste o meu sonho de mulher,esquece!
Vai,não me mates aos poucos,deixa-me de uma vez
Mais vale a  um só golpe do que a dor de morrer devagarinho...
Pode ser que venha uma chuva forte, e me apague este lume que arde incessantemente e me devora
Hei de voltar a sorrir,hei de voltar a viver
Há de vir uma tempestade que quebre as pedras deste muro e me eleve nos céus como um pássaro livre
Sei que vou conseguir caminhar sem ti
Sei que vou!
Vai,deixa-me só,como sempre me deixaste.

(Uma história verdadeira de alguém que me abriu a sua alma,e a deixou transbordar M.D.)

R.M.Cruz
(Foto Google)




terça-feira, 21 de março de 2017

Poesia

Poesia
Poesia é poder vaguear pelos meus pensamentos sem medo de inventar,sem medo de sonhar alto,sem medo de gritar palavras esquecidas,palavras das quais o mundo se envergonha.
Poesia é reinventar as palavras,torna-las mais livres,mais fortes,mais incisivas.
Poesia é tornar as palavras audíveis,escritas no silêncio da verdade.
Poesia,é inventar um arco íris num caos de guerra,é transplantar as armas com células de natureza.
Poesia é transformar uma lágrima na mais cristalina gota de sorriso,é iluminar o horror das sombras assustadoras e desenhar formas mágicas.
Poesia,é colocar esperança no coração de uma mãe com um filho moribundo nos braços,é quebrar o ramos da árvore do desespero do suicida.
Poesia, é banir as palavras ofensivas e assassinas,palavras que matam,que destroem,que anulam,que amarfanham,que diminuem,que violam....
Poesia é reciclar sentimentos de dor, de desilusão,poesia é transformar,reinventar,regenerar,curar,ressuscitar...
Poesia é olhar com os olhos da alma, e ver a verdadeira essência de cada SER como um SER de amor.
Poesia é adoçar a alma doente que não tem força de viver,é colorir os seus dias, é injectar uma boa dose de coragem e satisfação,é proporcionar outra perspectiva, acima da sua dor.
Poesia é estar no meio do caos e conseguir descrever a beleza de um momento.
Poesia é des- cobrir de beijos quem se cobre de vergonha,é salvar quem se afunda na maledicência,é abraçar quem morre devagarinho na solidão,é pontapear os restos de sujidade que intoxica a alma,é prevenir o coração das rajadas de vento destruidoras,é salpicar o teu sentir com chuva curadora.
Poesia é matar, destruir, banir todo o tipo de preconceito é renascer num novo mundo, onde o amor é livre, e o sexo é uma fonte de prazer à luz de qualquer coração
Poesia é sonhar,que a utopia é real.
 
 R.M.Cruz

domingo, 26 de fevereiro de 2017

O teu porto de abrigo...

Já se calam as palavras, meu amor
Nesta inata coragem do meu ser
De um silêncio constrangedor
Por amar-te mais do que possa parecer
Os meus olhos enchem-se de mar
A minha alma enfraquece em sua luz
Pássaro ferido, em meu peito a latejar
Toda a dor que aos teus lábios me conduz
Almejo tanto ser o teu porto de abrigo
Tua ancora,teu batel, o teu cais
Seguro os remos, já cansada, não consigo
Busco a força,mas já não posso mais
Erguem-se os ventos meu amor
As tempestades soltam as suas águas
Há um mundo tão imerso em sua dor
Corações engolidos nas próprias mágoas
Vejo-te ao longe resplandecente
Como uma luz que emerge da escuridão
Mas algo te atraiçoa... e de repente
Te derruba no nosso próprio chão
Deitas a  alma no meu peito
Tombas a cabeça no meu regaço
Os meus braços são agora o teu leito
Onde adormeces em soluços e cansaço
Elevo os meus olhos a Deus
E peço-lhe com toda a fé que sou capaz
Juntam-se os meus olhos aos teus
Em pensamentos de ternura, amor e paz
Cai a noite, chega a madrugada
E nós envolvidos em abraços
E de novo a caminho na estrada
Ninguém ousa,travar os nossos passos
Nesta cumplicidade da vida
Algo em nós mudou um dia
E o que ontem era ferida
Hoje é sonho, vida,alegria

(Dedicado a dois amigos muito queridos)
Quando há amor tudo se torna mais leve...

 Foto e texto :R.M.Cruz