terça-feira, 21 de março de 2017

Poesia

Poesia
Poesia é poder vaguear pelos meus pensamentos sem medo de inventar,sem medo de sonhar alto,sem medo de gritar palavras esquecidas,palavras das quais o mundo se envergonha.
Poesia é reinventar as palavras,torna-las mais livres,mais fortes,mais incisivas.
Poesia é tornar as palavras audíveis,escritas no silêncio da verdade.
Poesia,é inventar um arco íris num caos de guerra,é transplantar as armas com células de natureza.
Poesia é transformar uma lágrima na mais cristalina gota de sorriso,é iluminar o horror das sombras assustadoras e desenhar formas mágicas.
Poesia,é colocar esperança no coração de uma mãe com um filho moribundo nos braços,é quebrar o ramos da árvore do desespero do suicida.
Poesia, é banir as palavras ofensivas e assassinas,palavras que matam,que destroem,que anulam,que amarfanham,que diminuem,que violam....
Poesia é reciclar sentimentos de dor, de desilusão,poesia é transformar,reinventar,regenerar,curar,ressuscitar...
Poesia é olhar com os olhos da alma, e ver a verdadeira essência de cada SER como um SER de amor.
Poesia é adoçar a alma doente que não tem força de viver,é colorir os seus dias, é injectar uma boa dose de coragem e satisfação,é proporcionar outra perspectiva, acima da sua dor.
Poesia é estar no meio do caos e conseguir descrever a beleza de um momento.
Poesia é des- cobrir de beijos quem se cobre de vergonha,é salvar quem se afunda na maledicência,é abraçar quem morre devagarinho na solidão,é pontapear os restos de sujidade que intoxica a alma,é prevenir o coração das rajadas de vento destruidoras,é salpicar o teu sentir com chuva curadora.
Poesia é matar, destruir, banir todo o tipo de preconceito é renascer num novo mundo, onde o amor é livre, e o sexo é uma fonte de prazer à luz de qualquer coração
Poesia é sonhar,que a utopia é real.
 
 R.M.Cruz

domingo, 26 de fevereiro de 2017

O teu porto de abrigo...

Já se calam as palavras, meu amor
Nesta inata coragem do meu ser
De um silêncio constrangedor
Por amar-te mais do que possa parecer
Os meus olhos enchem-se de mar
A minha alma enfraquece em sua luz
Pássaro ferido, em meu peito a latejar
Toda a dor que aos teus lábios me conduz
Almejo tanto ser o teu porto de abrigo
Tua ancora,teu batel, o teu cais
Seguro os remos, já cansada, não consigo
Busco a força,mas já não posso mais
Erguem-se os ventos meu amor
As tempestades soltam as suas águas
Há um mundo tão imerso em sua dor
Corações engolidos nas próprias mágoas
Vejo-te ao longe resplandecente
Como uma luz que emerge da escuridão
Mas algo te atraiçoa... e de repente
Te derruba no nosso próprio chão
Deitas a  alma no meu peito
Tombas a cabeça no meu regaço
Os meus braços são agora o teu leito
Onde adormeces em soluços e cansaço
Elevo os meus olhos a Deus
E peço-lhe com toda a fé que sou capaz
Juntam-se os meus olhos aos teus
Em pensamentos de ternura, amor e paz
Cai a noite, chega a madrugada
E nós envolvidos em abraços
E de novo a caminho na estrada
Ninguém ousa,travar os nossos passos
Nesta cumplicidade da vida
Algo em nós mudou um dia
E o que ontem era ferida
Hoje é sonho, vida,alegria

(Dedicado a dois amigos muito queridos)
Quando há amor tudo se torna mais leve...

 Foto e texto :R.M.Cruz









quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

As palavras não dizem nada...

Escuta-me quando não falo
É no silêncio que deves ouvir-me
É no silêncio que eu falo o que calo
É lá que estendo os meus medos,e me curvo perante a saudade,o tédio o desconforto...
Escuta-me quando não digo nada,na ausência das palavras,há sentimentos profundos
Que esperam ansiosamente que alguém os descubra,se possível tu
Se conseguires ler-me por dentro,certamente me desdobro na tua direção
Ouve o que calo,sente a minha alma,eleva-me ao sol das minhas emoções
A tristeza abalroa a minha alma,sinto-me só,as palavras já não fazem sentido
E o amor espera...
Olha-me nos olhos e entra,procura-me por entre os meus anseios,envolve-te nos meus sentimentos
Esforça-te,ouve apenas o meu coração,escuta o que ele te diz
Verás que pouco a pouco a minha alma se torna  parte da tua
Acorda o meu amor,que cansado da espera adormeceu
Juntemos a alegria, para que seja maior a festa dentro de mim,de ti,de nós
Espantemos os medos, a solidão ,o tédio...
Agarremos a oportunidade de estarmos vivos
Não morras agora,nem me deixes morrer
É Hora de nos fazermos à estrada, de caminhar de almas dadas
É hora de descobrir o que está para lá de nós, a ternura que nos encanta,nos alimenta,nos beija
Essa ternura que chegou com o tempo
Entra pelos meus olhos,não te assustes com as lágrimas,são meus olhos a gritarem que entres
Juntos já fizemos tantas coisas
E juntos faremos muitas mais!
R.M.Cruz
(foto google) 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O amor é um bem querer.....


O amor anda na boca de muita gente,mas não  anda na  alma
A alma é a terra onde nasce e cresce o amor
O coração abre-se para que entre a luz que o faz florescer o alimenta e o faz crescer
Amar não é doloroso,quando sentes o amor de uma forma sublime,aceitação,entrega,desapego,gratidão
Tudo é amor...
Sim esse amor...incondicional
Esse amor que não tem forma nem rosto,que não tem cobrança,nem troco,que não tem espera nem expectativa,que não tem sexo
Amar pela simples forma de querer bem
Querer bem é amar
Não importa quem amas,preto ou branco,homem ou mulher...
O amor não tem cor nem sexo
O amor vem dos anjos
E anjos são todos os que o semeiam  o cuidam,o fazem crescer e o espalham
Divino é o amor,aquele amor ternura, compaixão, perdão.. 
O amor nunca pode ser sofrimento
A não ser que seja esse amor incondicional,que sofre por ver o outro sofrer,que chora por ver o outro chorar...
O amor é alegria
 Alegria quando alguém se enternece com a luz de um olhar,que se encanta com o nascer de uma criança,o desabrochar de uma flor,o cantar de um rio,o beijar das ondas,o cintilar das estrelas, o por do sol...
O amor é a ternura imensa que sentes por um velhinho, por um desconhecido,por um animal perdido,por uma ave machucada,por uma mulher maltratada...
O amor é uma energia boa,uma energia de bem querer, de luz,de prosperidade
O verdadeiro amor nasce na alma,e é granjeado por almas,não por sexos
 É tão fácil falar de amor,mas é tão difícil senti-lo
É tão fácil dizer amo-te,mas é tão difícil segurar a mão na hora mais apertada
É tão fácil dizer amo-te,mas é tão difícil ficar,quando todos vão embora
É tão fácil dizer amo-te,mas é tão difícil ser responsável
O amor é resistência,respeito,liberdade
O amor é levar-te nos olhos, e acordar todas as manhãs com a certeza que estás lá
O amor é na saúde mas mais na doença,no ficar e ir embora,no longe e no perto
O amor, não tem barreiras,nem idades,nem etnias,nem mentes vazias
O amor acontece na alma de quem tem amor próprio,esse amor que se dá de nós mesmos,esse amor que transparece nas ações,nas palavras,nos atos de quem quer ver o bem do mundo
O amor é energia pura que rejubila na cândida loucura das mentes sãs, nas noites escuras de ternas manhãs
O amor é um despir de preconceitos,juízos,xenofobias....
O amor é um misto de bons sentimentos
O amor é tudo o que vem por bem e nos trás felicidade

 (imagem Internet)


R.M.Cruz




segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Grito silencioso


O universo da alma humana,é tão vasto que chega a ser complicado
Não sei classificar a maldade que vem dos homens,a insensatez das atrocidades cometidas
O que leva o homem a matar,se sabe que a morte é inevitável?
O que leva o homem a lutar por poder se sabe que tudo vai perder?
Será o homem tão senil, que não consegue perceber que a vida é muito mais do que a morte?
E que a vida é tão efémera como uma lufada de ar?
O que leva o homem,a ignorar a fome, e a investir na guerra?
O Mundo move-se, sem que o apressemos,o mundo gira por si só
A vida renova-se a cada segundo,na vida e na morte.
Se somos seres pensantes,porque não pensamos no bem universal ?
Porque é que o homem é o maior inimigo de si mesmo?
Onde está a sabedoria dos pensamentos?
Quem consegue imaginar um mundo sem guerra e sem fome?
Crianças inocentes morrendo às mãos de quem as devia proteger
Não tem já o mundo as suas lacunas? A Natureza é perita em peneirar a terra
Aceitar todas estas injustiças é um fardo que carrego,sei que não posso mudar nada
Mas também sei que é penoso viver com isto
Não consigo conceber o facto de sermos tão maus uns para os outros
Se a violência gera violência,porque é que a bondade não gera bondade?
Será o homem um ser maléfico,se o é,porque é que existem seres de luz?
Não seremos todos da mesma espécie? 
Viria o homem ao mundo,para competir sobre o bem e o mal?
A que propósito?
Para provar que a humanidade é boa ou má?
Com um planeta tão lindo,onde nada falta,porque é que o homem se desdenha em ter,em possuir?
O que adianta,todos morremos inevitavelmente,então porque não viver em harmonia una com os outros,com a natureza e os animais.
Dizem que no nascer e no morrer somos todos iguais.
Então vivamos como irmãos,como parte da natureza,como parte deste planeta terra,vivamos como um todo.
(grito silencioso)

Bom ano para todas as pessoas de bem
R.M.Cruz





domingo, 7 de agosto de 2016

Os pés de minha Mãe...


Hoje ao ler uma crónica de António Lobo Antunes os meus olhos voltaram-se para dentro e o meu coração começou a bater tanto que quase morria sufocado na própria batida.A forma como ele fala da Mãe é algo tão sentido que parece que todas as Mães são de facto iguais.
 A minha memória levou-me ao passado,um passado tão intenso que parece que foi ontem.
Cheguei a sentir a sua presença e ocorreu-me um dia, um dia em que tínhamos que percorrer aquele caminho térreo pelo meio do monte até chegarmos à casa da tia Tina, irmã da minha Mãe,mulher forte, de lavouras e gados, que tantas vezes nos (matou) a fome,em troco de trabalhos pesados,era uma partilha dizia ela . Minha Mãe era franzina, magrinha, a fome era a sua maior aliada. Eu de pés descalços vestidinho de chita, trancinhas  no cabelo e os lacinhos eram restos de chita sobradas do vestido.(tudo feito pela mão de minha Mãe)
Eu chorava, porque o caminho já era longo, e os pézinhos encrostados pela falta dos sapatos (talvez por isso eu ainda hoje adoro andar descalça.) E você Mãe,compadecia-se da criancinha que pegava a barra da sua saia,olhava para mim,pegava-me no colo e dizia: Vou levar-te um pouquinho,tu estás pesadinha e a Mãe não pode contigo,eu erguia os bracitos e apontava uma árvore,só até aquela árvore.Está bem,dizia-me ela.Ainda hoje sinto as batidas dos seus pés descalços na terra seca,eu deitava a cabecinha no seu ombro e sentia todos os ossos do  seu corpo, como se eu também fizesse parte dele,fechava os olhos para sentir melhor,  e não ver a árvore a aproximar-se,ouvia os passos firmes e contava o tempo de cada passo.Depois abria os olhos e fingia que não tinha visto a árvore a ficar para trás,o seu colo era tão bom. os momentos foram tão marcantes, que ainda hoje sinto o movimento dos seus ossos no meu ouvido.
Lembro-me que mal o sol se punha tínhamos que fazer o caminho de volta para casa,só com a luz da lua a iluminar os nossos passos.Eu tinha tanto medo, os sons estranhos das aves nocturnas, as sombras das árvores pareciam fantasmas gigantes a querer engolir-nos e a  Mãe cantava,para distrair os nossos medos.
O meu irmão era mais pequenino, mas era mais forte do que eu, és a minha joia preciosa,dizia-lhe ela. E
eu Mãe ?(enciumada) Tu és a minha rosa celeste, eu não sabia o que significava,mas ela dizia-o com tanto carinho e doçura que me enchia  de alegria por dentro.(adoro rosas)
A Mãe era corajosa, ela era o homem e a mulher da casa.Nessas alturas eu olhava a lua e pensava, e perguntava, se os pais são para sempre,porque é que o pai morreu? Ao que ela respondia.Ele não morreu,está ali,vês aquela estrela mais brilhante? é o pai a iluminar o nosso caminho.Eu gritava:Pai, Pai,estás a ouvir-me? dá mais um bocadinho de luz, para a Mãe ver o caminho.E a estrela brilhava mais.Eu acreditava que o Pai me ouvia.Durante muitos anos estive zangada com ele,por ele ter ido embora e nos deixar tão pequeninos.Eu estava zangada por ver a minha Mãe trabalhar tanto,por ser escrava de muitas pessoas que se apoderavam da sua triste condição e não lhe pagavam o merecido.
Hoje já não estou zangada com o Pai,tenho a certeza que ele pediu perdão à Mãe,pois duas ou três  noites antes dela partir,disse-me:O teu Pai veio visitar-me, estava lindo com um fato preto camisa branca,pediu-me perdão e disse que esperava por mim.(Eu soube naquele momento que a minha Mãe partiria em breve, e partiu.
Não consigo imaginar os meus filhos sem mim,mas de uma coisa eu tenho certeza, quando chegar a minha hora,eles os dois vêm ao meu encontro.

R.M.Cruz 

domingo, 24 de julho de 2016

Já não preciso de ti



 Tu eras o homem a quem eu jurei amar, e amei.Amei tanto que me esqueci de mim.Amei tanto que fiz crer a mim própria, que não havia mais nada nem ninguém para além de ti
Mas tu fizeste questão de desvanecer todas as minhas ilusões.
 Eu não estava preparada para o desconhecido, o desconforto...
A perda, o desapego, o deixar ir...
E quando isso aconteceu,achei que o meu mundo iria ruir
A alma inflamou, adoeceu e caiu
O coração não aguentou a dor, e esteve ferido por algum tempo
Porque achei que o que tínhamos era toda a nossa vida, uma casa desfeita, um lar, uma relação...
Estava tão cega que não via nada para além de...e quando algo se quebrou, fiquei  indefesa, porque achei que não conseguia viver sem...
O medo apoderou-se de mim, o chão fugiu debaixo dos meus pés, senti-me sozinha, a solidão quase me devorou.
Muitas vezes não nos apercebemos que a outra parte leva-nos a isso,à dependência total, ao medo do que há para lá do que temos,ao receio do novo.Tudo em nome de um amor que nunca existiu, e se existiu era doentio...
Foste embora, e contigo levaste os meus sonhos,levaste a minha vontade de viver....fiquei como um barco à deriva,sem porto de abrigo, sem farol de orientação, sem luz sem estrela guia.
O que eu não sabia, é que tu não levaste nada, apenas causaste uma tempestade, e eu fiquei desorientada,tu nunca foste a minha tábua de salvação,nunca foste o meu farol, nunca foste a minha estrela.
Hoje olho para trás e agradeço aos céus por teres saído da minha vida,porque já não preciso de ti.
Andei no meio do caos,suportei a tempestade, procurei-me no meio dos escombros e encontrei todos os meus pedacinhos, e colei-os um a um, até ficar inteira.
Não digo que não tenho cicatrizes, tenho-as! Mas fazem parte da minha força. 
Os japoneses acreditam que quando um objeto quebra, vale a pena consertá-lo, pois ele não perde o seu valor, ao ser consertado, ele torna-se um objeto único e especial. E passa a valer mais do que antes.
Já não preciso de ti, já não me importo quem és de onde vieste,para onde vais,só sei que passaste na minha vida como um furacão, mexeste comigo, mas não me arruinaste.
Hoje sou outra mulher
Hoje sou Eu com tudo o que tenho
E sabes uma coisa? Não levaste os meus sonhos, porque os sonhos voltam para a vida de quem os sonhou.
Ergo os meus olhos e vejo-me de cima, e sei que sou feliz!
Já não preciso de ti

(todos os meus escritos tem histórias escondidas,verdades expostas, e este é um deles,quem se identificar não é pura coincidência)
R.M.Cruz