terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Porque hoje é Natal

Hoje corre em mim a esperança de dias melhores...
Dias de paz de solidariedade e de amor
Porque hoje é Natal
E só porque é Natal, os corações curvam-se perante a miséria humana
E fazer a diferença é sempre gratificante
Pena que seja só por hoje
É de lembrar que quem ajudamos hoje, tem que se alimentar todos os dias, e não uma vez por ano....
Mas ainda bem que é Natal !
Porque hoje as pessoas praticaram boas ações....afinal o ser humano sabe amar....ainda que seja uma vez por ano.
Hoje corre em mim a esperança, de que um dia vou  acordar e ver, que as pessoas teem caridade com o próximo, e que cada um se preocupa com o outro...e sabem que mais, corre em mim a esperança, que nesse dia não seja Natal.
Ser solidário não é dificil, podemos se-lo todos os dias e a toda a hora, um sorriso, uma partilha, uma palavra amiga, um bom dia pela manhã,um ombro,um gesto, um carinho, um abraço!
Sim um abraço cura muitas feridas e enfraquece a solidão.
Um sorriso alegra as duas partes, quem o dá e quem o recebe.
Uma palavra amiga, pode muitas vezes desviar alguém de um caminho sem volta.
A partilha de afetos, é  um alimento saudavel para a alma.
Um ombro amigo é muitas vezes a  força e ajuda de quem não consegue aguentar a cruz sozinho
Um carinho quantas vezes cura uma ferida aberta, por falta de afetos...
Que pena, que o Natal está a acabar, que pena que nós só ficamos sensibilizados pelo Natal
Que pena que o Natal não é todos os dias.
Como diz o poeta "Natal é quando o homem quiser" pena que o homem só quer uma vez por ano.
R.M.Cruz

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Um Mundo á parte.....

Há dias em que digo...vale a pena acreditar no ser humano.
Hoje a convite da minha amiga Lu, (aproveitando para fotografar) fui assistir á festinha de Natal dos meninos de colégio Novais e Sousa.
Os meninos (apenas no coração) pois a idade de alguns já ia para cima de 20 e 30 anos.
Logo que se abriu o pano do palco, as lágrimas saltaram-me sem que eu as pudesse impedir, meninos homens,que com tanto custo davam um passo atrás do outro, o esforço que faziam para que os movimento saíssem o mais  coordenados possível....sabiam que os pais estavam ali para os verem, alguns avistavam os pais na plateia e esqueciam-se por completo da representação, ficavam deslumbrados olhando no Horizonte aquela multidão ali para os aplaudir...(não sei se pelos aplausos ou pelo dia desigual ao outros) tanto trabalho para que um daqueles meninos desse um passo, um gesto....tanto trabalho para que aqueles meninos conseguissem entrar no ritmo da musica, tanto trabalho par que os meninos conseguissem levar um simples cartão á árvore de Natal, ainda que ajudados pelos seus atentos e dedicados  monitores... (que desde já lhes faço aqui a minha homenagem, obrigada por existirem!)
Mas no meio de tanto sacrifício, trabalho, gestos repetidos... montes de vezes, ali estavam os meninos homens, com um sorriso enorme que lhes atravessava a cara, e o coração.
Como diz o meu mestre de escrita "o escritor tem que andar por todos os lados, para ver e viver o que se passa á sua volta, porque uma coisa é falar, outra é sentir" Assim é...assim tem que ser, senti e vivi aqueles momentos...o amor que os meninos ditos ( especiais) teem pelos seus monitores, beijos e abraços, e estes sem qualquer problema deixavam-se abraçar e beijar, via-se a alegria com que o faziam, vi e senti, que ali era a sua segunda família (ou primeira...para alguns ).
A alegria dos meninos homens, na dança do folclore,o esforço que faziam para não desalinharem, e entreajuda de uns e outros, a preocupação para que tudo saísse perfeito, eram verdadeiras estrelas, fazendo jus á celebre frase " põe o melhor de ti em tudo o que fazes" e assim o fizeram! Eu por mim ausentei-me do mundo lá fora...da pressa...do relógio...do stresse da vida da cidade....
Ali era o mundo dos meninos (especiais) um mundo que o governo quer acabar aos poucos, um mundo que para quem tem filhos (especiais ) precisa assim de um aconchego, sim são especiais no verdadeiro sentido da palavra, especiais porque tendo uma grande limitação de corpo e cérebro, conseguem fazer coisas excepcionais, sem se preocuparem se estão a ser ridículos ou não, o importante é fazer, e fazer bem! E fazem-no melhor do que ninguém!

Sentia-se alegria, felicidade, segurança, confiança, ternura e muito humanismo.
Eu por mim gritarei até que a voz me doa, NÃO FECHEM ESTAS CASAS, NÃO FECHEM OS OLHOS Á NOSSA REALIDADE!
Visitem...olhem...vejam com os vossos olhos, a realidade de um mundo dentro do vosso.
Aqui fica o meu olhar....dentro dos olhos de cada menino homem, e de cada menina mulher...

R.M.Cruz

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"Natal nas ruas"

Hoje apercebi-me do quanto o ser humano tem receios...vive a medo...
Vestidos de várias personagens,saímos para a  rua distribuindo abraços e desejando um Bom Natal, apregoando o nosso autocarro mágico "RECICLÓNICO" e os contos de Natal sobre rodas (passo a publicidade)....dizia eu, que o ser humano é muito receoso... ao abordarmos as pessoas sorrindo e dando abraços, as pessoas ficavam assim...a olhar para nós, sem espontaneidade, armadas até aos dentes, com medo do abraço, medo do sorriso, medo da abordagem....raras eram as pessoas que abraçavam sem receio, que retribuíam o sorriso.
Pensei....o povo anda só, consigo mesmo, para dentro... fechados, tristes....
Apercebi-me então de como a vida não está fácil...e como as pessoas carregam fardos pesados...e como existe tanta desigualdade...quantos pais não irão ter dinheiro para dar um simples brinquedo a um filho? quantas pessoas desempregadas.....
Mas o mais triste ainda é sabermos que existem  muitos idosos que passarão o Natal sozinhos...numa solidão profunda...ansiando que a morte chegue depressa, porque a vida já nada tem para lhe dar, nem um sorriso sequer....
Mais triste é sabermos que existem milhares de famílias desestruturaras, pais e mães em guerras, filhos e pais que não se falam, por uma partilha de terra...( mas a terra não é de ninguém, é dela mesma)  por vezes com a sombra de assassinos dentro das próprias casas.
Mais triste é sabermos que o homem luta pelo poder, pela ascenção, pelo estatuto....sem se importar se pisa, se amarfanha, se calca o próprio semelhante...
Mais triste é sabermos....que muitas pessoas morrem de solidão, com um mundo atulhado de gente...
Mais triste é sabermos que há um sem numero de  mulheres a sofrer violência domestica ( homens também) no silencio,  sem força, caladas... sem que se possam libertar do opressor....
Mais triste é sabermos que existem milhares de crianças negligenciadas pela própria família,e pela sociedade, quem as devia proteger, é quem mais as condena ao sofrimento...
Mais triste é sabermos que existe um preconceito desmedido, sem qualquer respeito pelo outro, pela vida, pelo sentimento....
Haveria aqui um infindável dicionário de adjectivos para tanta desumanidade que não chegaria um dia para escrever, tudo isto para vos dizer, que o pior não são as lutas materiais, mas sim o respeito pelo outro, as lutas desumanas essas sim, são as mais preocupantes, e mais difíceis de resolver, visto que o homem tende a olhar apenas para o seu umbigo.
Claro que a vida material também é importante....temos que viver com dignidade, como seres humanos que somos!
Mas..............................................

R.M.Cruz

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Diz-me......

Diz-me amor.... que é feito do teu sorriso?
Das palavras ditas antes do deitar do sol...e do levantar da lua
Diz-me amor.... que é feito do toque das tuas mãos no meu ombro...antes que a noite se deite...
E as estrelas apareçam no céu
Diz-me amor... que é feito das tuas entradas pé ante pé, e das mãos atrás das costas...e de repente....  surpresa!!!  uma flor!!
Diz-me amor...que é feito dos teus dedos nos meus cabelos, levando-os ás tuas narinas, cheirando-o tão profundamente até ficares sem fôlego
Diz-me amor...que é feito das tardes perdidas nas dunas da praia...sem pressas e com promessas de mil noites de amor, e de viagens infinitas por terras inventadas por nós
Diz-me amor...que é feito do teu cigarro aceso, esquecido no cinzeiro e do copo de vinho, meio vazio, bebido em tragos pequenos, como se quisesses  eternizar o momento.
Diz-me amor... que é feito das nossas noites em lençóis, caídos no chão....num quarto em que o caos, era a nossa certeza, que ali ,existia a loucura de dois corpos unidos, saciados.
Diz-me amor... que é feito do silencio e das palavras mudas, adivinhando o que o outro sentia e boca pedia sem nada dizer...e no vai e vem do momento das paredes do quarto, nada mais existia, para lá da nossa paixão.
Diz-me amor.... porque já não deixas recados escritos, nos cantos da casa...indicando o caminho do tesouro escondido, e das velas de aromas, acesas no quarto, para que a noite não seja tão escura.
Diz-me amor...
Diz-me tu, que eu não sei o que aconteceu....
Se foste tu que morreste....
 Ou se quem te matou.... fui eu!

R.M.Cruz

domingo, 9 de dezembro de 2012

OUVIR-TE DIZER....AMO-TE!

Sabes amor....tenho saudades das vezes em que me dizias espontaneamente AMO-TE!
Sem que fosse preciso lembrar...
Hoje ao dizer-te que sinto saudades...tu respondes: "mas.... tu sabes que eu te amo"
Sim... sei, ouvir a palavra saída da tua boca é algo que me faz bem
É como uma melodia que entra na minha alma.....e faz festa no meu coração
É como mil sinos a tocar dentro de mim....como se eu estivesse dentro de uma orquestra  sinfónica
Sabes....a saudade é da sonoridade da palavra vinda de ti......
Da suavidade da voz, da lembrança do sentimento...
Dos abraços....com a palavra sussurrada ao meu ouvido...
É assim... como se os Anjos descessem á terra num clamor  uníssono...
Sabes amor...sentir o amor é muito bom! mas ouvir-te dizê-lo, é bom demais!
Sei que me amas....mas não te ouço....
É como se eu não tivesse audição,ou como se tu fosses mudo....
O silencio é bom....mas só por um tempo...depois torna-se solidão....
Ás vezes parece que o amor é um dado adquirido....depois de conquistado é nosso!
Mas não é assim....o  amor é como uma plantinha, se a regares, ela cresce e floresce
Mas se depois de o conquistares o arrumares num canto...cai no esquecimento
E enfraquece...consequentemente adoece para sempre....
Sabes amor....tenho saudades de ouvir a palavra AMO-TE!
Não porque não saiba que me amas......mas porque gosto de ouvi-lo
Não porque não saiba que que o amor está lá...mas porque quero ouvir o seu nome...
Diz que me amas... e eu te direi o quanto sou feliz!
AMO-TE! soa bem...cai bem...e é tão bom ouvir-te dize-lo
Quando a palavra AMO-TE, está de mãos dadas com o sentir....
É a junção perfeita do verbo amar!

Eu amo-te (eu)
Tu amas-me(tu)
Nós ama-mo-nos (eu e tu)
Eles amam-nos (os filhos)

R.M.Cruz

 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ao acaso.....

Os meus olhos viram com olhos de ver...
Entrei num café,não, ia para entrar...mas não entrei, quando os meus olhos se depararam com um casal num canto da esplanada, o seu gesto faz-me mudar de ideias, sentei-me mesmo  ali na esplanada, ia apenas para tomar um café, mas acabei por tomar uma lição.
Um casal... ela sentada numa cadeira de rodas, completamente impossibilitada de grandes gestos....a sua aparência era de uma mulher que foi linda fisicamente,mas que a fatalidade a lançou naquele estado,rosto contorcido,mãos com gestos involuntários, cabelos curtos limpos e sedosos,unhas tratadas.
Ele, um homem jovem (35 a 40 anos, talvez da mesma idade dela) fisicamente atlético, olhar firme mas terno (para ela) nas mãos segurava o guardanapo com que limpava de vez em quando a boca dela, sem nojo nem vergonha nem medo de ser observado, dava-lhe um beijo, e ela sorria, boca torta e desajeitada, fruto da fatalidade.
Ali na esplanada do bar, aquele homem apenas a via a ela, com cuidado ajudava-a a levar a chávena á boca, com a maior naturalidade do mundo ( tipo hoje tu amanhã eu).....ele lia o jornal, ela um livro , que ele ajudava a virar a página (assim como na vida).
Não viam ninguém apenas eles, paravam de ler e comentavam o que liam, ela sempre a sorrir, alheada da sua condição física, ele a olhar para ela, de vez em quando acariciava-lhe o rosto, limpava-lhe a baba, com muito cuidado, e ela sorria ao seu toque.
Fiquei ali, bastante tempo a observar...sem ser observada, e perguntava-me: (o que terá acontecido a este casal? será que foi um acidente em que ele era o culpado,daí toda aquela dedicação....ou será que por motivos óbvios ela se tentou suicidar  e os remorsos dele transformaram-se em cuidados? ou ela teve um AVC  por tanto setress em que só ela trabalhava , para os dois, ou mais....pois naquela idade provavelmente teriam filhos....ou....ou....( mas porque é que eu teimava em justificar uma situação em que só ele fosse o culpado?) talvez eu quisesse encontrar um álibi para uma forma de amor que é raro nos dias de hoje....
Enfim deixei de me preocupar quais foram os factos que a colocaram numa cadeira de rodas, completamente á mercê da bondade alheia, neste caso da bondade dele....o mais importante de tudo, é que fossem quais fossem os motivos, ele estava ali...firme com ela, junto dela, cuidando dela, a vida era ali, naquele momento, o que passou já não podia ser mudado, mas o que viria a seguir podia ser suavizado...
Pensei aquele homem poderia ter sido um canalha(ou não) mas naquele momento estava ali, só para ela, com ela, alheado ao mundo que os rodeava, alheado a tudo, com o seu amor e carinho para ela, e sentia-se felicidade....leveza...aceitação....AMOR!
 Um pequeno pormenor, para mim, mas para eles era VIDA!
Assim nesta reflexão, mais uma vez agradeci aos meus olhos por se abrirem para o mundo de uma forma mais clara, mais lúcida, mais reflectiva, e eu que tinha ido para tomar um café rápido, acabei por me esquecer do tempo.....que tempo? o tempo é a vida em movimento! o tempo são estes grandes ensinamentos, o tempo é a vida que o dá!

R.M.Cruz