terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Porque hoje é Natal

Hoje corre em mim a esperança de dias melhores...
Dias de paz de solidariedade e de amor
Porque hoje é Natal
E só porque é Natal, os corações curvam-se perante a miséria humana
E fazer a diferença é sempre gratificante
Pena que seja só por hoje
É de lembrar que quem ajudamos hoje, tem que se alimentar todos os dias, e não uma vez por ano....
Mas ainda bem que é Natal !
Porque hoje as pessoas praticaram boas ações....afinal o ser humano sabe amar....ainda que seja uma vez por ano.
Hoje corre em mim a esperança, de que um dia vou  acordar e ver, que as pessoas teem caridade com o próximo, e que cada um se preocupa com o outro...e sabem que mais, corre em mim a esperança, que nesse dia não seja Natal.
Ser solidário não é dificil, podemos se-lo todos os dias e a toda a hora, um sorriso, uma partilha, uma palavra amiga, um bom dia pela manhã,um ombro,um gesto, um carinho, um abraço!
Sim um abraço cura muitas feridas e enfraquece a solidão.
Um sorriso alegra as duas partes, quem o dá e quem o recebe.
Uma palavra amiga, pode muitas vezes desviar alguém de um caminho sem volta.
A partilha de afetos, é  um alimento saudavel para a alma.
Um ombro amigo é muitas vezes a  força e ajuda de quem não consegue aguentar a cruz sozinho
Um carinho quantas vezes cura uma ferida aberta, por falta de afetos...
Que pena, que o Natal está a acabar, que pena que nós só ficamos sensibilizados pelo Natal
Que pena que o Natal não é todos os dias.
Como diz o poeta "Natal é quando o homem quiser" pena que o homem só quer uma vez por ano.
R.M.Cruz

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Um Mundo á parte.....

Há dias em que digo...vale a pena acreditar no ser humano.
Hoje a convite da minha amiga Lu, (aproveitando para fotografar) fui assistir á festinha de Natal dos meninos de colégio Novais e Sousa.
Os meninos (apenas no coração) pois a idade de alguns já ia para cima de 20 e 30 anos.
Logo que se abriu o pano do palco, as lágrimas saltaram-me sem que eu as pudesse impedir, meninos homens,que com tanto custo davam um passo atrás do outro, o esforço que faziam para que os movimento saíssem o mais  coordenados possível....sabiam que os pais estavam ali para os verem, alguns avistavam os pais na plateia e esqueciam-se por completo da representação, ficavam deslumbrados olhando no Horizonte aquela multidão ali para os aplaudir...(não sei se pelos aplausos ou pelo dia desigual ao outros) tanto trabalho para que um daqueles meninos desse um passo, um gesto....tanto trabalho para que aqueles meninos conseguissem entrar no ritmo da musica, tanto trabalho par que os meninos conseguissem levar um simples cartão á árvore de Natal, ainda que ajudados pelos seus atentos e dedicados  monitores... (que desde já lhes faço aqui a minha homenagem, obrigada por existirem!)
Mas no meio de tanto sacrifício, trabalho, gestos repetidos... montes de vezes, ali estavam os meninos homens, com um sorriso enorme que lhes atravessava a cara, e o coração.
Como diz o meu mestre de escrita "o escritor tem que andar por todos os lados, para ver e viver o que se passa á sua volta, porque uma coisa é falar, outra é sentir" Assim é...assim tem que ser, senti e vivi aqueles momentos...o amor que os meninos ditos ( especiais) teem pelos seus monitores, beijos e abraços, e estes sem qualquer problema deixavam-se abraçar e beijar, via-se a alegria com que o faziam, vi e senti, que ali era a sua segunda família (ou primeira...para alguns ).
A alegria dos meninos homens, na dança do folclore,o esforço que faziam para não desalinharem, e entreajuda de uns e outros, a preocupação para que tudo saísse perfeito, eram verdadeiras estrelas, fazendo jus á celebre frase " põe o melhor de ti em tudo o que fazes" e assim o fizeram! Eu por mim ausentei-me do mundo lá fora...da pressa...do relógio...do stresse da vida da cidade....
Ali era o mundo dos meninos (especiais) um mundo que o governo quer acabar aos poucos, um mundo que para quem tem filhos (especiais ) precisa assim de um aconchego, sim são especiais no verdadeiro sentido da palavra, especiais porque tendo uma grande limitação de corpo e cérebro, conseguem fazer coisas excepcionais, sem se preocuparem se estão a ser ridículos ou não, o importante é fazer, e fazer bem! E fazem-no melhor do que ninguém!

Sentia-se alegria, felicidade, segurança, confiança, ternura e muito humanismo.
Eu por mim gritarei até que a voz me doa, NÃO FECHEM ESTAS CASAS, NÃO FECHEM OS OLHOS Á NOSSA REALIDADE!
Visitem...olhem...vejam com os vossos olhos, a realidade de um mundo dentro do vosso.
Aqui fica o meu olhar....dentro dos olhos de cada menino homem, e de cada menina mulher...

R.M.Cruz

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"Natal nas ruas"

Hoje apercebi-me do quanto o ser humano tem receios...vive a medo...
Vestidos de várias personagens,saímos para a  rua distribuindo abraços e desejando um Bom Natal, apregoando o nosso autocarro mágico "RECICLÓNICO" e os contos de Natal sobre rodas (passo a publicidade)....dizia eu, que o ser humano é muito receoso... ao abordarmos as pessoas sorrindo e dando abraços, as pessoas ficavam assim...a olhar para nós, sem espontaneidade, armadas até aos dentes, com medo do abraço, medo do sorriso, medo da abordagem....raras eram as pessoas que abraçavam sem receio, que retribuíam o sorriso.
Pensei....o povo anda só, consigo mesmo, para dentro... fechados, tristes....
Apercebi-me então de como a vida não está fácil...e como as pessoas carregam fardos pesados...e como existe tanta desigualdade...quantos pais não irão ter dinheiro para dar um simples brinquedo a um filho? quantas pessoas desempregadas.....
Mas o mais triste ainda é sabermos que existem  muitos idosos que passarão o Natal sozinhos...numa solidão profunda...ansiando que a morte chegue depressa, porque a vida já nada tem para lhe dar, nem um sorriso sequer....
Mais triste é sabermos que existem milhares de famílias desestruturaras, pais e mães em guerras, filhos e pais que não se falam, por uma partilha de terra...( mas a terra não é de ninguém, é dela mesma)  por vezes com a sombra de assassinos dentro das próprias casas.
Mais triste é sabermos que o homem luta pelo poder, pela ascenção, pelo estatuto....sem se importar se pisa, se amarfanha, se calca o próprio semelhante...
Mais triste é sabermos....que muitas pessoas morrem de solidão, com um mundo atulhado de gente...
Mais triste é sabermos que há um sem numero de  mulheres a sofrer violência domestica ( homens também) no silencio,  sem força, caladas... sem que se possam libertar do opressor....
Mais triste é sabermos que existem milhares de crianças negligenciadas pela própria família,e pela sociedade, quem as devia proteger, é quem mais as condena ao sofrimento...
Mais triste é sabermos que existe um preconceito desmedido, sem qualquer respeito pelo outro, pela vida, pelo sentimento....
Haveria aqui um infindável dicionário de adjectivos para tanta desumanidade que não chegaria um dia para escrever, tudo isto para vos dizer, que o pior não são as lutas materiais, mas sim o respeito pelo outro, as lutas desumanas essas sim, são as mais preocupantes, e mais difíceis de resolver, visto que o homem tende a olhar apenas para o seu umbigo.
Claro que a vida material também é importante....temos que viver com dignidade, como seres humanos que somos!
Mas..............................................

R.M.Cruz

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Diz-me......

Diz-me amor.... que é feito do teu sorriso?
Das palavras ditas antes do deitar do sol...e do levantar da lua
Diz-me amor.... que é feito do toque das tuas mãos no meu ombro...antes que a noite se deite...
E as estrelas apareçam no céu
Diz-me amor... que é feito das tuas entradas pé ante pé, e das mãos atrás das costas...e de repente....  surpresa!!!  uma flor!!
Diz-me amor...que é feito dos teus dedos nos meus cabelos, levando-os ás tuas narinas, cheirando-o tão profundamente até ficares sem fôlego
Diz-me amor...que é feito das tardes perdidas nas dunas da praia...sem pressas e com promessas de mil noites de amor, e de viagens infinitas por terras inventadas por nós
Diz-me amor...que é feito do teu cigarro aceso, esquecido no cinzeiro e do copo de vinho, meio vazio, bebido em tragos pequenos, como se quisesses  eternizar o momento.
Diz-me amor... que é feito das nossas noites em lençóis, caídos no chão....num quarto em que o caos, era a nossa certeza, que ali ,existia a loucura de dois corpos unidos, saciados.
Diz-me amor... que é feito do silencio e das palavras mudas, adivinhando o que o outro sentia e boca pedia sem nada dizer...e no vai e vem do momento das paredes do quarto, nada mais existia, para lá da nossa paixão.
Diz-me amor.... porque já não deixas recados escritos, nos cantos da casa...indicando o caminho do tesouro escondido, e das velas de aromas, acesas no quarto, para que a noite não seja tão escura.
Diz-me amor...
Diz-me tu, que eu não sei o que aconteceu....
Se foste tu que morreste....
 Ou se quem te matou.... fui eu!

R.M.Cruz

domingo, 9 de dezembro de 2012

OUVIR-TE DIZER....AMO-TE!

Sabes amor....tenho saudades das vezes em que me dizias espontaneamente AMO-TE!
Sem que fosse preciso lembrar...
Hoje ao dizer-te que sinto saudades...tu respondes: "mas.... tu sabes que eu te amo"
Sim... sei, ouvir a palavra saída da tua boca é algo que me faz bem
É como uma melodia que entra na minha alma.....e faz festa no meu coração
É como mil sinos a tocar dentro de mim....como se eu estivesse dentro de uma orquestra  sinfónica
Sabes....a saudade é da sonoridade da palavra vinda de ti......
Da suavidade da voz, da lembrança do sentimento...
Dos abraços....com a palavra sussurrada ao meu ouvido...
É assim... como se os Anjos descessem á terra num clamor  uníssono...
Sabes amor...sentir o amor é muito bom! mas ouvir-te dizê-lo, é bom demais!
Sei que me amas....mas não te ouço....
É como se eu não tivesse audição,ou como se tu fosses mudo....
O silencio é bom....mas só por um tempo...depois torna-se solidão....
Ás vezes parece que o amor é um dado adquirido....depois de conquistado é nosso!
Mas não é assim....o  amor é como uma plantinha, se a regares, ela cresce e floresce
Mas se depois de o conquistares o arrumares num canto...cai no esquecimento
E enfraquece...consequentemente adoece para sempre....
Sabes amor....tenho saudades de ouvir a palavra AMO-TE!
Não porque não saiba que me amas......mas porque gosto de ouvi-lo
Não porque não saiba que que o amor está lá...mas porque quero ouvir o seu nome...
Diz que me amas... e eu te direi o quanto sou feliz!
AMO-TE! soa bem...cai bem...e é tão bom ouvir-te dize-lo
Quando a palavra AMO-TE, está de mãos dadas com o sentir....
É a junção perfeita do verbo amar!

Eu amo-te (eu)
Tu amas-me(tu)
Nós ama-mo-nos (eu e tu)
Eles amam-nos (os filhos)

R.M.Cruz

 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ao acaso.....

Os meus olhos viram com olhos de ver...
Entrei num café,não, ia para entrar...mas não entrei, quando os meus olhos se depararam com um casal num canto da esplanada, o seu gesto faz-me mudar de ideias, sentei-me mesmo  ali na esplanada, ia apenas para tomar um café, mas acabei por tomar uma lição.
Um casal... ela sentada numa cadeira de rodas, completamente impossibilitada de grandes gestos....a sua aparência era de uma mulher que foi linda fisicamente,mas que a fatalidade a lançou naquele estado,rosto contorcido,mãos com gestos involuntários, cabelos curtos limpos e sedosos,unhas tratadas.
Ele, um homem jovem (35 a 40 anos, talvez da mesma idade dela) fisicamente atlético, olhar firme mas terno (para ela) nas mãos segurava o guardanapo com que limpava de vez em quando a boca dela, sem nojo nem vergonha nem medo de ser observado, dava-lhe um beijo, e ela sorria, boca torta e desajeitada, fruto da fatalidade.
Ali na esplanada do bar, aquele homem apenas a via a ela, com cuidado ajudava-a a levar a chávena á boca, com a maior naturalidade do mundo ( tipo hoje tu amanhã eu).....ele lia o jornal, ela um livro , que ele ajudava a virar a página (assim como na vida).
Não viam ninguém apenas eles, paravam de ler e comentavam o que liam, ela sempre a sorrir, alheada da sua condição física, ele a olhar para ela, de vez em quando acariciava-lhe o rosto, limpava-lhe a baba, com muito cuidado, e ela sorria ao seu toque.
Fiquei ali, bastante tempo a observar...sem ser observada, e perguntava-me: (o que terá acontecido a este casal? será que foi um acidente em que ele era o culpado,daí toda aquela dedicação....ou será que por motivos óbvios ela se tentou suicidar  e os remorsos dele transformaram-se em cuidados? ou ela teve um AVC  por tanto setress em que só ela trabalhava , para os dois, ou mais....pois naquela idade provavelmente teriam filhos....ou....ou....( mas porque é que eu teimava em justificar uma situação em que só ele fosse o culpado?) talvez eu quisesse encontrar um álibi para uma forma de amor que é raro nos dias de hoje....
Enfim deixei de me preocupar quais foram os factos que a colocaram numa cadeira de rodas, completamente á mercê da bondade alheia, neste caso da bondade dele....o mais importante de tudo, é que fossem quais fossem os motivos, ele estava ali...firme com ela, junto dela, cuidando dela, a vida era ali, naquele momento, o que passou já não podia ser mudado, mas o que viria a seguir podia ser suavizado...
Pensei aquele homem poderia ter sido um canalha(ou não) mas naquele momento estava ali, só para ela, com ela, alheado ao mundo que os rodeava, alheado a tudo, com o seu amor e carinho para ela, e sentia-se felicidade....leveza...aceitação....AMOR!
 Um pequeno pormenor, para mim, mas para eles era VIDA!
Assim nesta reflexão, mais uma vez agradeci aos meus olhos por se abrirem para o mundo de uma forma mais clara, mais lúcida, mais reflectiva, e eu que tinha ido para tomar um café rápido, acabei por me esquecer do tempo.....que tempo? o tempo é a vida em movimento! o tempo são estes grandes ensinamentos, o tempo é a vida que o dá!

R.M.Cruz

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O sonho e a vida...

Tu que caminhas com os pés na terra e a cabeça no sonho
Tu que esqueces as lacunas do dia a dia...
Desces ao infinito do teu ser
Acordas devagarinho a criança que há em ti...pegas-lhe na mão traze-a para fora
Brincas sem reservas...agora o mundo já não importa...
A vida adormeceu, o sonho acontece!
E juntas-te ás tuas crianças e brincas nas asas do sonho
Fundes-te com elas, como se nada mais houvesse...ou existisse...
Ali tu és uma criança que acredita nas fadas, nos príncipes,acreditas que tens poderes... e tens!
Com a tua varinha mágica fazes o sonho acontecer...e os meninos sonham contigo...voas no teu cavalo alado, por cima de florestas encantadas, visitas grutas enfeitiçadas, enfrentas guerreiros mausões, entras em labirintos á procura das borboletas, e elas estão lá, porque tu descobres os jardins onde elas vivem...
Vais ao Polo Norte, tens um trenó mágico, e os meninos vão contigo, e assim nesta brincadeira embalas-te no sonho da magia....e esqueces-te do mundo  lá fora...e o tempo não existe, simplesmente não há tempo...
De repente o sonho acaba...os teus olhos enchem-se de tristeza, porque esse era o mundo encantado que tu querias para sempre, é nesse mundo que as crianças são felizes!
Acordas a Isabel adulta, e adormeces a criança....limpas os olhos da mágoa, ergues os ombros, embainhas as armas da coragem e vais á luta, enfrentas os verdadeiros obstáculos da vida real, daquela em que o sonho não quer fazer parte!
Respiras fundo!
E caminhas....até voltares de novo a acordar a criança que há em ti!

Com muito amor de mim para ti!

Para a minha AMIGA Isabel Dias

R.MCruz


domingo, 25 de novembro de 2012

Ventos de mudança

Não sei o que se passa no mundo.....
Sei que o mundo está confuso...as sombras parecem engolir a luz
E parece-me que o ser humano está a perder as forças...a largar...a deixar ir....
Isso sufoca-me a alma...temos tudo neste paraíso chamado terra, porque razão não nos contentamos com o simples, o maravilhoso...será que eu sou pequena? não tenho ambição? será que sou retrograda?
O ser humano está cada vez mais egoísta, mais fechado, mais para dentro, não se abre, tem medo de se dar, medo de ser julgado, oprimido, descriminado....porquê? porque a sociedade MATA! 
O ser humano perdeu a capacidade de olhar para o lado, de ver a dor do outro, de sentir as dificuldades do outro, descer ao fundo da dor...esqueceu-se da capacidade de amar, do grande bem que tem dentro do coração, O AMOR!
O que faz mover o mundo é o amor, porque é que as pessoas teimam em dizer que é o dinheiro.
Sei....o dinheiro faz falta, mas faz falta porquê? porque o ser humano tem que sentir poder de alguma forma, então vejam onde está o poder, no dinheiro!
Se és pobre, mendigo, ninguém quer saber se, és um grande sábio, ou se o teu coração é um templo de amor...pois se fosses inteligente e sábio ,não vivias na pobreza, e mais... amor, não enche bancos, nem move políticos, nem causa guerra, porque na guerra perdem-se milhares de vidas, mas ganha-se milhões de dinheiros, perdem-se dignidades, mas ganham-se status, não importa que se matem inocentes, mulheres, velhos,crianças...sim crianças que nasceram para serem felizes, ninguém tem o direito de roubar uma vida.
Não sei o que sou, nem quem sou, só sei que as mentalidades estão a regredir, e diz-se que estamos em evolução....qual? evoluis na matéria e perdes nos valores....sobes ao pódio da vitória de conquistas, mas desces á miséria da alma....crias novas formas de evolução exterior, esmagando o crescimento de valores.
Sei que o dinheiro faz falta, em sociedade, se não tens dinheiro és um miserável, porque tudo se compra e tudo se vende....hoje vende-se a alma, os sentimentos, o coração, perdem-se as raízes daquilo que somos, porque viemos, para o que viemos.
Se não tens dinheiro, não és visível, se não tens status, és um zé ninguém...então todos entram numa luta de conquistas, enganam-se uns aos outros, vendem-se, para poder chegar lá, ao pódio da visibilidade, do satatus, do poder material...o homem cega, e é vitima da própria cegueira, destrói a natureza, sem escrúpulos, sem pensar nas consequências....a terra não vai perdoar, vai revoltar-se e engolir quem a quer matar, ventos de mudança virão, será peneirada toda a terra, para recomeçar....
A oportunidade foi-nos dada, nós não a quisemos...simplesmente porque somos otários, frios, consumistas, donos, opressores...........

R.M.Cruz

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Reflectindo...............................

Outono estação de renovação....hoje olhei as árvores numa reflexão interior...
Conforme olhava... ia observando  a tonalidade das cores, dos tamanhos, das formas, dos lugares.....observei então que as árvores mais pequenas, já tinham largado as suas folhas, as maiorzinhas estavam semi nuas, ou semi vestidas, as grandes e frondosas, essas...ainda conservavam as suas folhas quase com as cores de primavera....(fora de tempo)
(Vejamos com os olhos da alma)
Assim somos nós (como árvores) os jovens desprendem-se com facilidade, porque sabem que a seguir vem novas etapas, novas experiências,os jovens abrem-se para a vida para o novo.
Enquanto os  velhos ( falo das mentes) agarram... aprisionam.... não dão abertura ao que é novo, teem medo de perder, andam carregados de (malas) pesados..."se não nos despirmos do que é velho, nunca poderemos dar entrada ao que é novo"Paulo Coelho).
As cores são também como as nossas vidas, umas mais alegres e coloridas, outras mais escuras e cinzentas, tudo tem comparação, as árvores e as mentes....
Abrir-mos as nossas mentes para o novo, é como limpar a nossa casa, deitar fora aquela cadeira com a perna partida, ninguém se senta nela, ocupa espaço....uma chávena sem asa, um copo estalado, uma lâmpada fundida, uns sapatos que ninguém calça, um livro que ninguém lê, uma esferográfica sem tinta,um perfume que não gostas,um bibelô, uma agenda de 2009, um meia sem par, um quadro que detestas,uma saia que nunca usaste,enfim.....porquê? porque teimamos em guardar o que não tem uso?
Assim é a nossa mente, se guardas coisas velhas, não há lugar para coisas novas, façamos uma limpeza, deitemos fora o que nos impede de crescer, larguemos as (folhas) velhas, prepare-mo-nos para a renovação, abra-mo-nos para o novo, desprenda-mo-nos...aceitemos!
Não é a idade fisica que conta, mas sim a idade mental, mantem a tua mente jovem, e a vida terá outra cor!

Uma pequena introspecção.

R.M.Cruz

domingo, 18 de novembro de 2012

Deixa-me...........................

Deixa-me ir.....
Solta-me, para que eu cresça!
Deixa-me encontrar o meu próprio caminho.....
Tropeçar nas pedras que estão lá para mim
Não para ti!
São as minhas pedras...é o meu caminho, sou eu que tenho que segui-lo sozinho!
Deixa-me cair, só assim saberei se tenho forças para me levantar
Não me estendas a mão antecipadamente
Larga-me para que eu me torne forte
Não me sigas, porque eu sinto a tua sombra, e sei que se cair estás mesmo atrás de mim
Nunca sentirei a queda, nunca saberei qual a verdadeira dor
Não me protejas....sou singular, preciso de mim...preciso saber quem sou
O que faço...de que sou capaz...se sou forte ou fraco...
Deixa-me decidir qual o meu rumo...o meu objectivo, deixa-me ser EU! 
Todos temos que seguir o nosso caminho....sei que que me amas...por isso me proteges
E um dia? quando tu não estiveres aqui...que faço? morro dentro do meu medo!
Porque não saberei caminhar sozinho...terei medo de dar um passo...porque todos os passos que dou
São pela tua mão.....
Deixa-me ir...solta-me á vida! deixa que me machuque, deixa que eu chore, que eu sofra que eu grite!
Preciso de dilatar a minha alma!
Preciso de dar espaço ao meu coração!
Preciso de crescer!
Deixa-me pensar que te perdi...para te dar o verdadeiro valor
É assim....o ser humano só dá valor quando perde.
Quero saber quem sou, quem és, quem somos!
Deixa-me ir.........................preciso de te perder, para me encontrar!

R.M.Cruz

domingo, 11 de novembro de 2012

Delirium....

Aqui e ali vais buscando alimento
Tal pássaro livre que conta apenas com a Mãe Natureza.
Assim és tu,um dia após outro, não te desvias do teu caminho.
Segues convicta que esse caminho te levará a um espaço por desbravar
Por vezes arrastas-te....por vezes voas...
Tudo depende das" malas" que carregas....
Umas vezes caminhas de cabeça erguida, forte, como se o teu mundo estivesse logo ali
Por vezes corres, corres.... qual atleta adivinhando o fim da meta.
Outras vezes, voas....leve... por cima de tudo, visão periférica, perspectiva diferente....
E assim é a tua vida...ora pássaro,ora gente.
Buscas no amanhecer as pequenas gotas de orvalho ainda virgens, bebendo-as, elixir da pura  grandeza da Natureza.
Nas tardes soalheiras, enroscas-te na terra fresca, como se tu e a terra fossem um todo, e sentes-te bem...
Nas noites frias procuras o calor das estrelas, o mistério da lua, os sons dos animais nocturnos, místicos, como mística é a tua caminhada na terra.
Buscas os poderes da noite, para enfrentares o dia....sobes ao cume das montanhas tentando tocar o céu...e tocas, de tal forma que o céu parece um manto divino sobre a tua cabeça.
Entras na escuridão da terra...porque queres descobrir os seus mistérios, ainda que a luz da lua não penetre a terra, tu contas com os pirilampos....
Olhas o sol de frente, na iminência da cegueira total, mas que te importa...enfrentas o sol na sua intocável luz...(qual macho de viúva negra, que morre no seu efémero prazer)
Não olhas a moralismos, esses não te deixam seguir em frente, por falta de coragem
Voas no Universo, sentindo-te no colo de Deus....
Poisas na  orla do mar...como uma pantera descansando na arvore mais frondosa da floresta!
Ouves o cantar dos pássaros e fundes-te nos seus encantos, tu és um pássaro!
Avivas as cores das paisagens que o homem teima em descolorir....
Inventas novas cores ao arco íris....porque o homem alterou as originais
Desces a falésia mais íngreme na busca de novas vidas....vidas por inventar...e traze-las ao cimo para que vejam o nascer da aurora...
E por fim adormeces na praia...com a certeza que o sol nasce todas as manhãs
 E sonhas...sonhas que o mundo há-de ser o que tu quiseres!

(Delírium de uma poeta "estar fora de si" de mim")
Desculpem....não gosto da palavra poetisa

R.M.Cruz

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Por um tempo.............

Estou aqui...
Nua....completamente desprovida de tudo...
Baixei as armas, estou cansada...
Deitei-me em mim mesma, para poder descansar
Mas sinto-me dorida...o meu corpo não sustem a minha alma...
Terei necessidade de voar...sair de mim
Não consigo levantar o coração...está demasiado pesado...
Carrego nele, os teus medos e os meus...carrego os deles e os nossos...
Carrego o mundo......
Estou em Standebay....por um tempo
Aguardem pela minha recuperação....nem sei o que tenho
Qual o meu mal...só sei que a minha alma não quer estar mais aqui
Não suporta a negação do meu corpo nem o peso do meu coração
Sinto como se mil toneladas me sufocassem.....como se eu fosse enterrada viva...
Resta-me esperar.....esperar que o meu corpo se erga...
Quando a minha alma voltar
Porque ela vai voltar!
Saiu de mim...foi procurar alento, forças....
O meu corpo,  esse, não pode sair do lugar, é cativo da sua condição humana...
Mas a alma, sim! Essa tem asas de condor, voa... voa.... procurando uma luz, para que o meu corpo se desenterre....e volte de novo à vida!
Ás vezes é necessário uma clausura...um retiro....a solidão, para que alma e corpo se equilibrem...
Estou em Standebay...
Até que a alma volte...................................................................................

R.M.Cruz

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Desculpa Mãe....

Sabes Mãe, tenho o teu retrato ao lado da minha cama
Para falar contigo antes de adormecer...
Contar-te o meu dia...as minhas brincadeiras...os meus medos....
Mas sabes Mãe, pensei que seria bom para mim, ter-te ali ao meu lado
Mas não é!
Pensei que me acalmava...olhando para ti...para os teus olhos, mas tem um efeito contrario
Em vez disso, choro, choro a tua ausencia....estão ali os teus olhos, mas não são reais, não têm brilho, nem luz....
Estão ali os teus braços, mas não me abraçam....tento fingir, fecho os olhos e faço muita força
Para sentir o teu abraço, mas não sinto!
Quem disse, que se quisermos muito uma coisa ela acontece?
Comigo não funciona Mãe....eu quero tanto que me contes uma história antes de adormecer
E o que eu vejo, é apenas o teu retrato, mudo, calado... a olhar para mim, falo para ele mas só ouço o silencio das minhas lágrimas na almofada.
Sabes Mãe, ás vezes preferia que tu não existisses, a minha dor seria menor, ou antes não teria dor,não se sofre por o que não existe.
Tenho que dormir Mãe, amanhã tenho de me levantar cedo para ir para a escola...desculpa Mãe, tenho que virar o teu retrato, preciso de dormir....
Sei que amanhã é um novo dia, e depois outro e outro....vivo assim nesta esperança que me venhas buscar....um dia atrás do outro....
Tenho tudo, é certo! todos pensam que eu sou uma criança feliz...mas ninguém sabe a dor que eu sinto, todas as noites antes de dormir, sabes porquê Mãe, porque sinto a tua falta.
Não quero que saibas que eu choro.....porque sinto-me culpada das minhas lágrimas, não quero que elas te deixem triste...por isso que quando estou contigo, sou a menina mais feliz do mundo, o meu sorriso aquece o teu coração, e eu fico feliz!
Sabes Mãe, mas eu não sou feliz! Porque sinto a tua ausencia....e tenho sempre uma desculpa para a tua ausencia....sabes porquê Mãe? Porque eu quero ter a certeza, que as Mães amam os filhos, e fazem tudo por eles, os maiores sacrifícios....tento enganar-me, justificando as tuas falhas....as tuas ausências......
Mesmo assim Mãe, só quero ver-te feliz! Porque eu amo-te tanto Mãe!
Sabes Mãe só vou lamentar,  quando finalmente tu, tiveres tempo para mim, eu não terei tempo para ti!
Porque o tempo passa Mãe, eu estou a crescer....estou a perder a minha ingenuidade, a minha pureza de criança....e tenho medo que um dia, eu não queira mais justificar-te!
Amo-te Mãe!

Palavras de uma criança........

R.M.Cruz

sábado, 3 de novembro de 2012

Como se eu fosse...............

Ali entre o céu e a terra, temos encontro marcado
Entre o relógio e o tempo
Entre os Anjos e os Demónios
Ali onde eu me desnudo 
Para ti como se eu fosse gente
Toma-me como se eu fosse única
Bebe-me...
Como se eu fosse veneno
Deita-te em mim...
Como se eu fosse mar
Beija-me ...
Como se eu fosse criança
Abraça-me...
Como se eu fosse tua
Sorri-me ...
Como se eu fosse azul
Saboreia-me...
Como se eu fosse uvas
Planta-me...
Como se eu fosse Árvore
Semeia-me ...
Como se eu fosse rio
Ama-me...
Como se eu fosse amor
Procura-me...
Como se eu fosse luz
Encontra-me....
Como se eu fosse Felicidade
Esconde-me ...
Como se eu fosse o mal
Cria-me....
Como se eu fosse Fé
Chora-me ...
Como se eu fosse saudade
Perde-me....
Como se eu fosse um amigo
Esquece-me....
Como se eu fosse ódio
Leva-me....
Como se eu te pertencesse 
Olha-me....
Como se eu fosse Mãe
Guarda-me...
Como se eu fosse rara...
E assim entre o relógio e o tempo
Eu fui tua, como se tu fosses meu!

R.M.Cruz






quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Podemos fazer a diferença!

No caminho da escola, acompanhando a Érica (minha neta) 
Deparei-me com uma senhora e uma menina, do outro lado da rua, completamente carregada, com sacos e sacolas embrulhos..... numa das mãos levava, montes de balões presos a pequenas fitas, eram balões alusivos ao dia halloween. Aproximei-me da senhora pronta para a ajudar visto que seguíamos o mesmo trajecto da escola, e na saudação das duas meninas apercebi-me que frequentavam a mesma escola.
A senhora aceitou de imediato a minha ajuda, tentei alivia-la um pouco da sua grande bagagem, ela agradeceu e contou-me (sem que eu lhe perguntasse) que levava aquelas coisas todas para a escola, para alegrar as crianças, senti-me um pouco envergonhada, pois perante tamanha dádiva eu ia de mãos vazias.
-Sabe eu fiz isto com muito amor, é que hoje as crianças não têm nenhum mimo, no sentido carinhoso e afetivo, anda tudo preocupado com a crise nem se lembram do mais importante... eu gosto de ajudar, vai ser muito bom para elas, sentirem e viverem este dia tão engraçado... eu gosto tanto do halloween, quem me dera ser outra vez criança, eu não sou daqui sabe? de onde eu vim,  vivia-se esta festa todos os anos com tanta alegria, e ainda bem que agora também a fazem aqui em Portugal, assim (mato) as saudades....(desabafos).
Chegada á escola a senhora começa a espalhar a alegria logo ali na entrada do portão, oferecendo um chapéu de bruxa á directora, depois na sala de aula, oferece outro chapéu á Professora, (a qual ficou estupefacta) e pouco a pouco foi tirando as coisas dos sacos, (espanto das crianças) uma abóbora,  um bolo, chapéus para todos, fita a fita ofereceu um balão a cada criança,( um pequeno pormenor,) velinhas e fósforos, tudo aquela senhora levava, para o grande dia de halloween.
As crianças estavam numa algazarra, a professora nem sabia o que dizer, dirigiu-se a nós agradecendo-nos, eu ergui os braços.
-Na realidade sinto-me envergonhada, pois tudo isto foi esta senhora que trouxe, e não eu, louvo-a por tal atitude.
-(Professora) Mas não era para trazerem nada.....as crianças estavam tristes, e agora estão todas tão felizes, vamos festejar o halloween com muita alegria!!!
Eu saí de mansinho,(envergonhada, confesso) a pensar.....como nós podemos fazer coisas grandiosas, dentro do nosso pequeno estatuto de ser humano, podemos na realidade, singularmente não mudar o mundo, mas podemos fazer a diferença no mundo de alguém... hoje aquela senhora mudou o mundo daquela sala de aula ,(incluindo o da minha neta) dando uma lufada de ar fresco ( os professores necessitam, de se sentirem apoiados).
Todos os dias são dias de aprendizagem!
Um bem haja a todos os que se interessam pela felicidade de alguém, e contribuem para que isso aconteça!!!
  
R.M.Cruz

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O que nos aconteceu?

Queria encontrar uma palavra para descrever o que nos aconteceu....
Procurei em todos os dicionários...em todos os livros...mapas...pergaminhos...bíblias...jornais...
Mas não encontrei
Ocorreu-me inventar uma, só para nós...
Mas todas as que inventei não transmitem  o meu desconsolo
Fiquei-me por esta...  DESILUSÃO! é a que está mais perto do que sinto.
Eu pensava que tínhamos construído o nosso amor, em cima da rocha mais solida do nosso coração
Pensava que tínhamos alicerçado com os matérias mais resistíveis da alma...
Contratamos os melhores engenheiros de sonhos
Usamos os melhores materiais da vida...
Tínhamos tudo para dar certo!
O que falhou amor, o que falhou?
Uma pequena brecha se abriu, e pouco a pouco foi entrando a podridão
Distraídos que estávamos...não demos conta...
A podridão entrou, rasteira, silenciosa, sombria, asquerosa, e foi tomando conta da nossa casa
Aos poucos instalou-se confortavelmente, no que era nosso
E nós não tivemos alternativa...
Onde está a minha Raínha?  Procuro, procuro....e encontro uma escrava
Onde estão as tuas vestes de seda pura? apenas vejo farrapos que o tempo rasgou
Onde está o teu porte de Raínha? Só vejo gestos  roboticos, apaticos e sem nexo 
Onde estão aqueles olhos, que me deixavam entrar na sua luz e fazer castelos de cores, onde eu era o teu Rei?Apenas vejo uma casa em ruinas sombria, vazia, fria...onde eu vagueio como um fantasma 
A nossa casa, está destruída, o nosso coração infectado, a nossa alma doente...
Onde está o nosso amor? 
Foi arrastado na enxurrada da podridão....
Entre todo este caos, e esta vida sombria, vejo ao longe uma pequenina restia de luz
Arrasto o meu coração até essa luz, na esperança, que ela me ajude a encontrar um pedacinho de amor
um pedacinho,que tenha ficado algures no meio dos escombros...
E com ele, esse pequeno pedacinho, vou acender uma grande tocha de luz, para que me vejas na penumbra da nossa casa.
E te lembres que um dia foste a minha Raínha, vivo na esperança de te salvar desse feitiço que te transformou em escrava...
E em noites de lua cheia, irei contigo ao mar, e pedirei á lua, para te proteger, e nunca mais ninguém te enfeitiçar.
Aconchegar-te-ei em lençois brancos de amor.... e ficarei ali, assim....contigo junto ao meu peito, esperando que o mar entre em nós, e leve todos os nossos  medos...pedirei ao Sol que aqueça as nossas almas regeladas pelas intempérias da vida.
E assim...amor, sonho que um dia esta DESILUSÃO, se levante das cinzas e se transforme na mais linda história de amor.



As estrelas também lá estão na praia, junto a vós, os AMIGOS!

R.M.Cruz
  



segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Singelo momento.......


Estava eu na sala de espera do hospital,esta, atulhada de gente, quase nem se podia respirar (mesmo caótico) naquela imensidão de gente, lá estava eu, enquanto esperava, observava...  quando os meus olhos não mais se desviaram, a visão era deslumbrante. Ali sentada num dos bancos da sala, estava uma Mãe com um menino no colo,irrequieto...traquina, teria o menino um ano, (mais ou menos,) ele gritava, esperneava..... a Mãe na sua infinita paciência ajeitava-o no colo de forma a libertar-lhe os movimentos, sem pressão nem presença de nervos exteriores, o menino esse não parava, a Mãe aconchegou-o no colo e começou a cantar-lhe uma canção de embalar.....meu menino de oiro, é de oiro fino, não façam caso que é pequenino....o menino com os seus deditos tacteva o rosto da Mãe como se fossem de veludo, os cabelos loiros e compridos da Mãe tocavam-lhe o rosto cobrindo-o como se fosse um véu, protegendo-o de todos os olhares maléficos, pouco a pouco fechou os olhos parecendo adormecer....a Mãe continuou a cantar.As pessoas, essas, esperavam a consulta, insultando a vida o governo e o hospital, e a Mãe continuava, alheada a tudo. De repente o menino traquina volta á traquinice,( sono falso) pulava no colo...agarrado ao pescoço da Mãe, esta, com a serenidade de um Anjo, ajeita o colo a gosto, desabotoa a blusa branca, e desnuda uma mama , dando a beber ao menino o leite que dela jorrava, Mãe e menino eram apenas um, a Mãe não via o mundo, e o menino só via o mundo da Mãe. E eu via dois mundos o da Mãe e do menino, e o da sala  do hospital, de repente apercebi-me que ali, naquele momento existia mais um mundo o Meu.
Agradeci à Natureza e à vida por me presentear com o quadro vivo mais lindo que os olhos podem observar,senti-me uma privilegiada, pois no meio de tanta multidão, só eu tive olhos para aquele quadro tão belo.
Momentos.....

R.M.Cruz

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A voz dos poetas....

Ai se não fosse a tua voz
Essa voz que grita ao mundo
O silencio dos poetas
Que faz tocar os sinos de todas as catedrais
Ai essa tua voz em forma de grito
Dando vida ás palavras do poeta
Que na silencio da noite escreve
Almejando que o mundo o oiça
Mas....de manhã morre no ruído do dia
Ele o poeta sonha...sonha que um dia
Tudo será como ele escreveu
Que um dia as flores não morrerão
Que os rios não secarão
Ele sonha que um dia, todas as cidades
Se transformarão em montes verdejantes
 E  se enfeitarão com crianças brincando
E encherão o céu com melodiosas gargalhadas
E danças de Índio na  dança da chuva
Assim é poeta...sonhador....
Ele sonha que um dia o Mundo há-de ser como ele o vê
Ai poeta louco e tonto, para ele não há utopia
Nem muros, nem grades, nem prisões
Mas eis que chega o dia
E lhe rouba o sonho
Resta-lhe a tua voz em forma de grito
Essa voz que lhe dá a seiva para continuar
Rega-lhe a alma, para que não morra..
Essa voz é a voz de quem declama
De quem grita o silencio das palavras
Escritas e sonhadas pelo poeta
Essa voz é a tua Aurora Gaia
Sim! tu dás voz ao sonho do poeta...fundes-te em ti mesma
Entre o poeta e a voz
És como uma luz na escuridão
Ele... ela....o poeta, segue-a sem lhe perder o rasto
Porque ele sabe que a tua voz vai para onde vai o sonho

Dedicado com todo o meu carinho á minha querida amiga Aurora Gaia

R.M.Cruz


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Continuarei...................

Há dias em que precisamos sair da apatia
Dar um tempo? Tudo bem!
Mas não um tempo infinito...chega!
Hoje decidi fechar o meu coração para limpeza
Hoje não entras nele
Hoje preciso de lavar esfregar e deitar fora
Guardar limpar decorar
A ti ,vou meter-te no baú dos momentos inesquecíveis
Onde eu guardo religiosamente todos os bens de valores incalculáveis
De vez em quando irei lá buscar-te, para te dar um pouco de brilho
E  relembrar o nosso tempo...
Um tempo lindo
Mas que já passou...
Agora é hora de dizer... chega!
Chega de esperar que te decidas
 Enquanto vives a tua vida em experiências
Eu perco-a, esperando por ti
Não! Não és culpado de nada....
Sou eu que tenho que decidir, o que quero
E hoje decidi, não quero esperar uma eternidade...é tempo demais!
Não te deito fora! és muito valioso para mim
Quero guardar-te no baú das minhas memórias...para que nunca morras...
Não quero perder-te- nem esquecer-te...
Mas quero VIVER!
As jóias não se usam todos os dias
Terei momentos especais para usar as nossas recordações
Os nossos momentos....
Assim farei...vou lavar o chão do meu coração
Juntar os cacos que tu partiste...
Fazer a cama com lençóis coloridos....e nela vou desfolhar pétalas de rosas brancas
Vou trocar a cor das rosas...já não quero vermelhas
Depois....depois vou por na prateleira todos os teus presentes....
E sem dor, nem magoa....guardarei a tua fotografia...
Não porque não te quero ver....
Mas porque tenho que preparar a casa para  outro amor
Não é um novo amor, porque o teu continua...é outro amor!
Porque o amor é amor...não há novo nem velho, nem forte nem fraco
Há apenas amor!
E depois de tudo limpo, deitar-me-ei em mim....repousarei na minha paz
Respirarei fundo....e direi para mim mesma: Estás preparada para continuar o caminho!
E acredita! CONTINUAREI!

R.M.Cruz


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Entre dois mundos...

Os meus olhos buscam a luz dos teus...
Mas os teus não se voltam para mim, vagueiam na escuridão
Encaminhei os meus passos, para uma aproximação visivel
Tentativa inglória....
Os teus olhos não querem ver os meus, mergulharam na penumbra e lá teimam permanecer
O foco de luz que te lancei, não foi suficiente
Na densa escuridão mergulhas-te...desinteressado de tudo
E eu? eu vejo-te ir.....
Lancei fogo de artificio, na esperança que as cores te surpreendessem
Mas.....nada...
Queria te seguir, na esperança de te trazer de volta
Mas como posso eu seguir-te, se tu não deixas pegadas
Tenho medo de me perder...ao encontrar-te
Tenho medo...que nos encontremos no abismo
Um abismo que ninguém conhece....
Inclinas a tua  cabeça nas sombras, escolheste-as para companhia.... e eu? eu entro nos teus sonhos
E neles pinto a minha presença com cores  múltiplas de memórias
Memórias que trago no peito, de nós.
Memórias em que juntos olhávamos o horizonte...e lá construíamos o nosso mundo!
Um mundo de poesia...de sonho...de alquimia...
Por momentos enlaçávamos os nossos corpos num abraço
E voava-mos rumo a esse mundo...e ficávamos lá...nas gargalhadas constantes
De sinfonias por inventar...
  Sei que sofres...mas não sei como buscar-te...
Sei que choras...mas não sei como cessar esse rio...
Sei que sentes...mas não sei como anestesiar a tua dor...
Queria que me visses...como eu te vejo, mas as sombras não te permitem ver a minha luz
Queria ver o teu sorriso rasgado....mas esse escondeste-o para mim
Queria ser o que fui, como tu és no meu coração o que sempre foste...ÚNICO
Queria voar contigo, nos sonhos, nas quimeras, nos sentidos, na VIDA!
Mas sabes amor, qual a minha maior tristeza? É que eu sei que o indutor das tuas fragilidades
Sou EU!

R.M.Cruz
 




segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Memórias...

Lá fora oiço os gritos das crianças...
Gritos, misturados com gargalhadas,  canções... frases
No vai e vem... o vento trás-me essa mistura de ruídos...soltos
Por breves momentos sou arrancada, deste lugar, e entro para dentro das minhas memórias
Revivo, e vivo momentos de criança
Também eu no recreio da escola...com um pedaço de caco faço riscos quadrados, não simétricos no chão...desenho uma macaca
Que feliz....que eu sou...criança pobre...pura inocente...
Oiço ao longe o palrar dos pássaros... passeio pelo recreio da escola e vou cantarolando
Quem quiser brincar comigo que se meta aqui...e aos poucos, um ,a um ...põem  os braços em cima dos meus ombros e marchamos....agora já é um coro...quem quiser brincar connosco que se meta aqui.
Damos a volta á escola umas quantas vezes....o cordão cresce... cresce...e divide-se em dois.
Vamos jogar ao "quem tem mais força"
Divididos ao meio e... puxámos até um, ceder e o cordão rebentar...
Agora brincamos aos policias e ladrões...engraçado eu quero sempre ser o ladrão, da-me um gozo fugir á policia...
Brinca-mos á Cinderela, eu sou a gata borralheira, adoro perder o sapatinho...qual sapatinho? eu ando descalça,  sinto o contacto com a terra, os meus pés são autenticas solas...calejados do chão,( sim porque os sapatos são só para o dia de Domingo)
Ainda sinto o cheiro de Domingo... um cheiro diferente, uma frescura...um sonho...uma quimera...
(Hoje os dias são todos iguais)
Ao domingo há toalha nova na mesa...e comida melhor, ao domingo a Mãe leva-me á missa, ao domingo calço os sapatos, e a Mãe coloca-me um laço cor de rosa nos cabelos e veste-me o vestido de chita florido....óh como eu me sinto linda...
Eu não sei distinguir a riqueza da pobreza...porque eu sou feliz, não tenha tempo para comparações...
É...ali estou eu a brincar com as minhas amiguinhas, no riacho que leva a água ao milho, fazemos moinhos de vento...com pauzinhos e bogalhos...eu tenho uma boneca de trapos feita pela minha Mãe, lembro-me que quando fiz 7 anos tive a minha primeira boneca de plástico, com cabelos, meu Deus! guardei essa boneca durante anos....
Aqui estou eu.... Orfã de pai aos 5 anos, nunca soube o que era ter um pai, por isso nunca me fez falta( a gente não ama o que não conhece)
De repente o toque da campainha, arranca a criança e trá-la de volta ao mundo dos adultos.
 Fui criança, fui feliz!
Quando quero ver essa criança...ausento-me um pouco e vou visita-la.
Incrivel, como um som, uma palavra um cheiro nos leva a viajar no tempo...
Sem passado...não temos presente!

R.M.Cruz