
Olhei o céu e confundi os ramos das árvores com os teus braços
Parecia que se estendiam para mim
E os raios de sol por entre as folhagens, figurava-se-me o teu sorriso
Por momentos confundi o cantar dos pássaros com a tua voz
E a aragem que acariciou o meu rosto trazia o teu perfume
Arranjei os meus cabelos,passei as mãos nos meus lábios
E de repente pareceu-me que me vias
Ali entre o céu e a terra, flutuei algures noutra frequência
Não senti os pés no chão, não me senti carne
Senti-me brisa, por cima da matéria
Por trás da montanha havia outra montanha
Havia caminhos em todos os sentidos e para lá dos caminhos havia mar
E as lágrimas eram rios de sangue, e os corações dos homens eram cristais
E as ruas eram pedaços de algodão, e as mãos das pessoas eram colos
E as Mães eram anjos
E os Pais eram outros anjos
E os homens eram de todas as cores
E o amor era a língua Universal
E o horizonte não se via, porque era um mundo sem fim, e o mar dobrava-se sobre ti
E tu eras céu
E a Primavera desfez-se em pétalas de flores
E toda a terra inalava o seu perfume
Continuei inebriada pelos raios do sol que teimava em penetrar as árvores...possuindo-as!
E as árvores enraizadas desmaiavam em êxtase pela envolvência do sol
Senti-me intrusa
Senti o teu beijo
Senti a saudade
Senti o abraço
Senti o adeus
Sen-ti fiquei
Sem mim também
Em matéria me transformei
E fui humana.
R.M.Cruz
(imagem google)
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