Não sinto os meus pés no chão… vagueio pela noite à procura
do teu sorriso, das tuas gargalhadas...do teu… bom dia mãe!
Arrancaram-te de mim….
Alguém aqui sabe o que é a dor de perder um filho? Não?
Oxalá ninguém passe por isto, pois a dor é tão medonha que nos engole a vida, passamos
a ser fantasma em busca de respostas que nunca chegam, e se um dia chegarem é
tarde demais.
Malditos! Ele era tão jovem, nunca fez mal a ninguém, porque
é que o ser humano se comporta como besta? Todos somos livres de ser quem
queremos ser, se a minha forma de viver não interfere com a tua, porque me
julgas? Porque me subestimas? porque me
desrespeitas? Não sou eu um ser humano como tu?
Somos seres tão cruéis tão horrorosamente infameis.
O sol já não brilha, as nuvens negras povoam a minha mente, ninguém sabe das
minhas noites, escuto no silêncio o choro do meu filho, que partiu tão jovem, e não consigo tira-lo da
minha cabeça, nem arranca-lo do meu coração, porque a sua alma foi acorrentada,
pelas palavras de miúdos malcriados e cruéis,
que não mediram as consequências dos seus atos. A cada palavra um soco, a cada
indiferença um pontapé, a cada gesto uma facada, a cada preconceito, uma corda
na garganta, asfixia total ….De repente a morte, só ficou o lamento de uma mãe
que vagueia pelas margens de si. Uma vida arrancada, um mundo que não sabe
amar, compreender aceitar respeitar.
Mataram o meu filho lentamente, pegaram na sua dignidade e
levaram-no ao suicídio.
Aberração? Não! Paneleiro? Não!
Que raio de gente é esta? Que raio de mundo é este? Eduquei
o meu filho com amor, e ele morreu com o ódio de quem o ensinei a amar.
Cabe na minha mão a incúria, de não o proteger de mentes
venenosas, más, horrorosas….mas a inocência de quem não quer mal a ninguém,
esqueceu-se que o mundo não é igual para todos, e nem sempre o amor
protege, antes pelo contrario o amor torna as pessoas indefesas pela sua pureza
de espírito
, pelo seu toque de magia, nunca pensei que o amor, fosse a causa da
morte do meu filho.
Não! Não foi o amor a causa. Foram as vossas mentes
perversas, foi o vosso desrespeito pela vida humana, pelo outro, pelo próximo.
O amor não tem rótulo, nem sexo, nem nome…o amor apenas É.
Não mataram apenas o
meu filho, a minha alma despiu o meu corpo e foi com ele.
Nos meus olhos ficaram os dele, para guiarem o meu corpo até à sepultura.
R.M.Cruz
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